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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

2 Anos!

Faz hoje 2 anos que o Blog nasceu! :) ... Nasceu de uma ideia numa escada rolante, num centro comercial, enquanto conversava com o meu M. Nasceu antes de um turno da noite. Nasceu da vontade de mostrar ao mundo que há coisas que nem contadas as pessoas acreditam no que se passa atrás de um balcão de uma recepção. Nem acredito que passaram dois anos...
Ainda hoje dei por mim a recordar aquela época fatídica em que tínhamos o jantar daquele grupo de empresários duas quartas-feiras por mês. Numa das vezes (uma das últimas e na altura em que eu já estava mesmo a querer pôr-me a andar), estava na Recepção, a servir as pessoas no jantar, a recolher a louça, a atender o telefone, a servir no bar, a levantar as mesas do jantar... até que com a pressa, escorrego no chão gordurento da cozinha e caio em cheio com o meu "bum-bum"... Quando me vi naquela posição de tartaruga, pensei para mim: chegaste ao fundo.

Parabéns ao Blog e a vocês, que me acompanham há 2 anos :) Obrigada.

fonte da imgem: favim.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Definição de Serviço Externo

 Uma das novidades do meu emprego de Não-Recepcionista é o Serviço Externo frequente. Quando estava no Hotel, tive um ou outro serviço super externo, na medida em que tinha de sair do país...
Neste emprego, serviço externo, para além dos eventos fora da nossa cidade, significa sempre alguma Reunião. No entanto, a minha colega orienta-nos sempre, e muito bem, para uma Reunião que aparentemente demora entre 2h a 3h. E é por isso mesmo que adoro o Serviço Externo... Vou passar a enumerar as razões:
1- Se temos de fazer compras de necessidade para os eventos, aproveitamos sempre e fazemos as nossas compras para casa (conferir texto a negrito).
2- Quer tenhamos de sair de manhã, quer tenhamos de sair à tarde, há sempre tempo para um "lanchinho". Não sei se já experimentaram os Muffins de Frutos Silvestres da pastelaria do Continente... eu fiquei fã.
3- Quando calha, temos sempre oportunidade de espreitar as montras do comércio local.
4- Sempre espairecemos do ambiente fechado de tortura da empresa.
5- Consigo andar na rua com aquele ar sofisticado de pasta na mão e a carteira na outra, a parecer uma verdadeira businnes woman.
6- Apanhamos com aquele solinho maravilhoso das tardes de primavera/verão/outono.
7- O tempo até à hora de saída passa mais depressa.
8- E basicamente é isto.
Nos entretantos, também acontecem coisas engraçadas pelo meio:
Numa tarde de Maio, depois de uma breve limpeza de uma arrecadação, decidimos que era necessário adquirir daquelas caixas de plástico de arrumação, para conseguirmos levar algum material para um evento que íamos ter em Junho.
Então, à tarde, pegamos no carro de serviço e dirigimo-nos a um espaço comercial, que para além de ter artigos de organização, tinha também objectos irresistíveis para a casa (foi onde eu comprei o meu mini puff-sofá que tem uma tampinha e onde eu posso arrumar o que anda à solta pelo quarto...combina tão bem com a decoração que era pecado não o trazer.). Comprámos o que necessitámos para a casa, guardámos tudo no carro e fomos espreitar outra loja que também tinha as tais caixas, apenas para comparar preços. Como a última loja não satisfazia as nossas necessidades, voltámos à primeira e lá comprámos as caixas de arrumação. Solicitámos à menina da loja que nos guardasse as caixas por uns minutos, pois pretendíamos ir lanchar na pastelaria ao lado e não nos apetecia nada levar 3 objectos gigantes que mais pareciam mini monovolumes de transporte... Entrámos, conversámos e degustámos o nosso lanche. Abandonámos a pastelaria e dirigimo-nos ao carro, muito animadas a conversar. 
Chegámos à empresa para descarregar as caixas e demos conta que foram totalmente negligenciadas à custa do nosso lanche... Voltámos à loja, que by the way, dista quase 10 km do sítio onde trabalhamos e recuperámos as caixas que estavam religiosamente guardadas.
A parte boa é que quando voltámos pela segunda vez à empresa, já estava na hora de irmos embora...



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 28 de junho de 2014

Confissões de uma Ex-Recepcionista.

Cada dia que passa lembro-me aqui deste meu cantinho, que está a ser negligenciado... a ser alvo de uma incorrecta gestão de tempo... Shame on me, confesso...
Tenho que reconhecer uma coisa muito positiva de começar no mercado de trabalho atrás de uma recepção de um hotel: ficamos preparados para quase tudo:
- maus humores de chefes (isto aprendemos com os hóspedes mal encarados)
- trabalhar horas infinitas
- conseguimos completar diversas tarefas ao mesmo tempo
- lidar com telefonemas/clientes chatos
- conseguimos trabalhar no caos
- e eu, pessoalmente, consigo avaliar a perfeição de uma tosta mista e de um sumo natural de laranja, quando vou lanchar a um qualquer sítio por aí.

Tenho a dizer que neste momento tenho uma relação de amor-ódio com a hotelaria. A parte do amor renasceu quando virei hóspede - muahahahahah (uma tendência que tem vinho a aumentar nos últimos meses devido ao meu novo trabalho). A parte do ódio continua cá dentro quando me lembro de coisas que me fizeram escrever este post. 
Mas querem saber uma coisa muito, muito estranha? Sonho muitas vezes com o hotel... que estou atrasada, que estou na recepção, com os meus colegas... e neste momento de pura loucura e confissões... tenho saudades de algumas coisas... de algumas rotinas... Epá, nem acredito que disse isto. Mas é só um bocadinho. São mais as coisas das quais não tenho saudades... Encerramos agora aqui este capítulo semi-lamechas. Ninguém fala mais sobre esta minha confissão.

Gostava, agora, de fazer uma pequena dissertação sobre a minha perspectiva do mundo hoteleiro, mas do lado certo do balcão: o de fora
Em Maio hospedei-me num hotel em Lisboa e tive pena dos recepcionistas mal pus o pé na porta. Não consigo esconder isso. Depois, tive que me deslocar a outro hotel e em conversa com o recepcionista disse-lhe também que já tinha sido Recepcionista, mas que tinha fugido. Responde-me ele: "Fez muito bem! É preciso muita paciência..." Ai, como eu sei disso. E nem sonhas tu, caro ex-colega, as histórias que eu já contei aqui. Mas não te podia dizer, porque sou uma "Anónima".
Eu sou daquelas hóspedes que não dá trabalho. Compreendo bem as informações que me são transmitidas na Recepção de Hotel, uso o serviço de despertar apenas se o conseguir accionar com o telefone do quarto, não usurpo as amenities em todos os dias que lá estou, só sujo uma toalha de rosto e uma de banho (sim, caros hóspedes, lá por terem duas toalhas de cada espécie no quarto não quer dizer que as tenham que utilizar todas no mesmo dia! - Cof, cof, desculpem este aparte... há coisas que ficam "cá dentro"), deixo a casa de banho arrumadinha, o lixo dentro dos saquinhos de plástico, a cama em jeito de ser feita e não ponho roupa espalhada por todo o lado.Sou é, irremediavelmente exigente com a limpeza, talvez por saber como se processa tudo. Não posso ver cabelos de outras pessoas na casa de banho e passo os lençóis a pente fino antes de me deitar. De resto, valorizo e muito o trabalho de todos os funcionários. Mas neste caso, uma das recepcionistas era tão antipática que tive que reclamar. Oh senhora, eu sei que o seu trabalho é super chato, mas ninguém tem culpa.
Outra coisa que me despedaça o coração é ver estagiários atrás do balcão: NÃO! POR FAVOR! MUDEM ENQUANTO É TEMPO. Tanto da primeira, como da segunda vez que lá estive, vi várias carinhas novas a tentar ser o mais competentes e profissionais possível. Estavam, evidentemente, a sair-se bem. Mas repensem nas vossas opções...
Uma coisa que continuo a ser muito boa é a decorar números dos quartos... dos outros! Tanto tempo que andei a decorar e a relacionar hóspedes e números de quartos, que não pensei que eu também precisasse de um quarto, um dia, eventualmente (é que durante o tempo que trabalhei no Hotel, não tinha sequer tempo para ir de férias e alojar-me num hotel... é como se me tivesse esquecido de ser hóspede!).

Então tenho a cena mais engraçada para contar enquanto hóspede:
Primeiro dia do pequeno almoço, depois de uma quase directa em trabalho. Chego eu e os restantes colegas à Sala do Pequeno Almoço e a menina pede-nos o número dos quartos. Auxiliei os meus colegas na árdua tarefa de recordar o número dos seus quartos. Eu, que fiquei para o fim, tive que ir confirmar o número do meu quarto ao Recepcionista. E lá fui, depois, tomar o pequeno almoço.

Uma coisa é certa, é muito estranho estar do outro lado. Ser Recepcionista de hotel é uma coisa que vai ficar realmente para sempre, não importa há quanto tempo abandonámos a profissão. Vai sempre reflectir-se nas pequenas coisas: nas gorjetas que deixamos, na compaixão que sentimos pelos ex-colegas, na partilha de histórias interessantes. E num outro lado de loucura, posso dizer também que tenho muito orgulho em ter tido a oportunidade de envergar uma farda imaculada de Recepcionista. Continua ali, no cantinho do meu armário... :)




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lições de Vida

Tenho tido saudades de escrever aqui. Não tenho vindo, porque tenho tido uma rotina meia "amalucada". Não me estou a queixar :D Nem podia.
Ora bem, faz um mês e dez dias que estou num trabalho em que não sou recepcionista. Não me posso acostumar muito, que dentro em breve voltarei para trás de um balcão com funções de Técnica de Enoturismo. Estarei numa espécie de posto de turismo para vinhos. Nunca há um dia igual neste meu novo trabalho. Entretanto, aqui estão algumas coisas que já aprendi, observei e constatei:
- é difícil trabalhar numa área tão direccionada para os homens;
- é ainda mais difícil ser a pessoa mais nova de um local de trabalho (em idade e experiência)
- é difícil também suportar chicos-espertismos
- e claro que também é difícil resistir às tentativas de rebaixamento pelas pessoas "mais velhas"
- não é assim tão difícil sobreviver a isto
- é complicado dialogar com pessoas acima dos 50 anos que sejam "muito ocupadas" (salvo excepções)
- é bom trabalhar com pessoas jovens e dinâmicas (facto)
- é difícil trabalhar fechada num sítio onde sou a única que não fuma
- nem toda a gente acorda bem disposta de manhã
- se alguém é extremamente simpático connosco é porque está a aprontar alguma
- ao contrário do que nos ensinaram na escola, se não percebemos uma coisa, não devemos perguntar de novo. Fazemos da maneira que entendemos. De todas as formas, se a tarefa tem que ser avaliada, virá com as eventuais correcções
- é difícil trabalhar com homens que ocupam os cargos de chefias, especialmente se tiverem mau gosto
- é bom poder trabalhar no meu gabinete e ouvir música
- é bom poder sair para reuniões e lanchar numa pastelaria na viagem de regresso
- é bom poder sair e ir a pé a qualquer lado
- os "beirões" são homens terríveis.

Tenho dito :)



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A Revolução Francesa

Bem vindo à actualização de informação sobre a Revolução Francesa.
Vai chegar ao fim deste post com a sensação que afinal enquanto estudava história, tinha razão em não querer saber nada daquilo. É tudo mentira meus senhores.
A Revolução Francesa não se iniciou em 14 de Julho de 1789 com a queda da Bastilha. A culpa não foi dos revolucionários que quiseram tirar Luis XVI do poder e nem sequer existiram os Girondinos e os Jacobinos a travarem guerras de ideiais entre si.
A Revolução Francesa começou exactamente no dia 28 de Agosto de 2013, com a chegada dos primeiros hóspedes ao Hotel que tomaram a Recepção de assalto, atemorizando a única recepcionista que lá existia naquela hora... A Recepcionista atormentada, digitava o mais depressa que podia os nomes e números de bilhetes de identidade no sistema informático.
Arrancaram-na à força da recepção para a torturarem no Bar, de onde nunca mais saiu. Os franceses, mais unidos que nunca, pediam cerveja aos litros, vinho tinto "frrresquinho porr favorr" e vinho do porto infinito. Sem dó nem piedade, consumiam, consumiam, consumiam.... e nunca paravam de chegar tropas francesas que não largavam o bar, nem a campainha da recepção.
O verdadeiro Golpe do Brumário deu-se há poucos dias e felizmente não tiveram que passar 10 anos, nem tivemos que chamar o Napoleão para pôr mão nestas tropas revolucionárias da hotelaria. Mas o certo é que se viveu uma verdadeira fase de terror

The End


(a quem ainda está a estudar História, poderá comparar esta minha história com a realidade apenas com propósitos científicos. Não se confundam e contem a minha versão da Revolução Francesa, para bem das vossas notas :) )



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 25 de agosto de 2013

Best of Summer 2013

 Tenho tido tanta inspiração para escrever e tão pouco tempo... O verão é repleto de histórias e aventuras, (para hóspedes e recepcionistas). É repleto de calor e trabalho extra (para recepcionistas), de exigências e pedidos (para os hóspedes). É o tempo em que recepcionistas, como eu, apanham um esgotamento porque têm de assegurar um turno sozinhos e mais: têm de enfrentar serviços organizados quase todas as semanas, com falta de pessoal em todos os sectores! Este verão especializei-me em:
- lacinhos para guardanapos;
- desengordurar louça
- bater records de lavar louça enquanto atendo o telefone, faço umas tostas, aqueço sopas e faço check-ins;
- ficar maluca.
O verão (leia-se época alta) ainda parece longe de terminar (no fim de setembro, mais especificamente) e a única coisa que me deixa contente é poder ter histórias para contar.

Fica aqui um best of do meu verão como recepcionista:
- Estar 2 horas sem aparecer ninguém na recepção e quando me levanto para ir jantar, chegar tudo ao mesmo tempo, tocar o telefone e ter serviço de bar.
- Fazer caipirinhas à pressão para um casamento com mais de 200 convidados.
- Servir de psicóloga a cada meia hora.
- O barril da cerveja acabar sempre comigo (o aspecto positivo é que pelo menos a cerveja hidrata o cabelo)
- Fazer milhentos lacinhos para guardanapos em menos de um turno repleto de movimento.
- Ter uma crise de soluços quando chegam precisamente hóspedes a pedirem as mais complexas informações (onde posso comer? e a internet? queria fazer uma pré-reserva de quartos infinitos... o preço é mesmo esse que me está a dar? Não há descontos?)
- Estar no bar ocupada com as tostas e o telefone tocar.... Vou atender e é um das dezenas de bebés que se instalaram aqui há tempos no hotel. Julguei que era a convenção nacional dos bebés. Pior do que atender uma chamada, é o telefone estar sempre a tocar porque o bebé-achou-engraçado-ter-alguém-do-outro-lado-da-linha-e-a-mãezinha-dele-também-achou-engraçado-porque-pelo-menos-o-bebé-está-entretido-e-não-tem-que-o-aturar.
- E a propósito da convenção nacional dos bebés.... Um dia quando for mãe vou ter pena da pobre da recepcionista e não vou pedir que aqueça sopas, leites, águas, biberões, papinhas e etc, etc...!!!!  Socorro! Foi só o que eu pensei nesse dia. Foram dezenas de bebés nesse dia!
- Pedir ao piloto russo que se dirigiu ao bar que aguarde enquanto eu recebo o taxista que foi solicitado para um hóspede. O taxista e o hóspede seguem caminho e eu volto para a recepção tranquilamente, quando olho para o bar e vejo o russo à minha espera. Levei literalmente as mãos à cabeça e o russo desmanchou-se a rir. Pedi-lhe imensas desculpas, mas como eu estava a rir-me descontroladamente, acho que não fui muito convincente. Acabámos por nos rir os dois... vá lá (é que vou dispensar as reclamações das melhores histórias deste verão).
- Aturar uma rapariga o turno inteiro, que falava muito depressa, muito alto e sobre vários assuntos ao mesmo tempo!! Pior... ela ficou 3 semanas e andava sempre atrás de mim! A minha cabeça ficava saturada ao fim do dia. Ela esgotava o meu nível de "sociabilidade pós-turno" num instante!
- Não vou nem falar da quantidade de garotos, adultos e outras espécies que estão sempre a tocar à tal campainha engraçada enquanto eu estou a fazer o check-in.

... I'll be back!





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 14 de julho de 2013

Prova do mal que nos desejam...

 Nem a propósito... hoje depois da minha sesta de preparação para o turno da noite (que, by the way, está a decorrer... mas não digam a ninguém) liguei a TV e estava a dar um programa sobre escândalos de celebridades. Então, no seguimento do meu post de ontem, pareceu-me interessante vir fazer queixinhas do Russell Crowe. Fiquei chocada com o que descobri! Secalhar sou a única pessoa neste mundo que não ainda não sabia disto!
Então, em jeito de indignação e protesto e talvez também para mostrar às pessoas o que é ser Recepcionista e elucidar os aspirantes a recepcionistas ao que estão sujeitos, deixo aqui este testemunho bastante ilustrativo... o Russell Crowe hospedou-se uma vez num Hotel e como o telefone do seu singelo quartinho não estava a funcionar, arranca-o da parede... "e vai daí", desce à recepção e atira-o à cara do recepcionista.
Já perceberam que nós, recepcionistas, somos tudo e temos culpa de tudo. Só não sabia ainda que as pessoas não tinha noção que também somos de carne e osso e que afinal também servimos de alvo de arremesso de objectos. Onde é que isto vai parar!
Felizmente nunca me aconteceu uma destas... mas por precaução, vou já amanhã meter um requerimento à Direcção para que as novas fardas incluam protecções, como aquelas que os jogadores de futebol americano utilizam.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ser Recepcionista: o Lado Lunar

 Têm-me chegado mensagens a questionar quais as maiores dificuldades de uma Recepcionista. Tenho evitado este post porque é chato... ninguém quer ouvir uma Recepcionista a reclamar do seu trabalho de subserviente e das suas tentativas falhadas de omnipresença no Bar, na Recepção e no Serviço de quartos.
Mas, como para mim, tudo é tema de conversa vou aqui deixar uma listinha interessante aos aspirantes a Recepcionistas. Estas são, no meu ponto de vista, as dificuldades maiores que eu vou encontrando no meu dia-a-dia:

- Ler pensamentos de hóspedes (há pessoas que insistem a chegar ao balcão e a olharem para nós, sem abrirem a boca, como se nós tivéssemos que saber quem é aquela personagem pasmada ali à nossa frente);
- Estar em vários sítios ao mesmo tempo (ainda não consegui desenvolver esta característica, que hoje em dia parece-se mais com um requisito da profissão);
- Lidar com assédios (é a verdade nua e crua. Isto acontece com alguma frequência e há que ter braço de ferro ou respostas para tudo na ponta da língua, para que não abusem. Pessoas sem cérebro consideram que as recepcionistas são algum alento de vista e interpretam mal a simpatia que lhes é dirigida; insistem em querer números de telefone, conversas parvas e consolo de solidões. Excelentíssimos Senhores, o máximo que podemos fazer é recomendar-vos um Bordel. Mais respeito se faz favor!).
- Lidar com má educação (há pessoas que nos vêm como bichos e que passam aqui sem abrir a boca. Eu costumo dizer que não se deve tratar mal quem nos serve. Especialmente no que toca a comidas e alojamento...).
- Esquecer Fins de Semana, Festividades, Aniversários, Datas Especiais, Momentos em Família (a hotelaria torna-nos pessoas frias, muitos frias e anti-sociais. Tão anti-sociais que eu nas folgas dispenso a companhia de estranhos e tento não pensar no que perdi, especialmente porque o meu horário se resume a um turno apenas - leia-se aquele que ninguém quer exactamente porque não permite vida social nenhuma - das 16h às 00h)
- Conciliar horários com a "minha metade" (não posso esconder esta realidade que me atormenta todos os dias. É exactamente por causa do meu maravilhoso horário que, mesmo tão perto, estou sempre longe e só posso fazer matar saudades nas folgas. Há quem considere isto secundário, mas eu não, a felicidade está nas pessoas que me rodeiam. O trabalho é acessório).
- "Guerrinhas" (não posso dizer que isto acontece aqui. Mas sei de locais em que existe muita competição entre colegas de recepção. Fazem tudo e descem muito baixo para prejudicar o outro. Sou uma pessoa de paz e não sei onde é que essas pessoas pretendem chegar assim. Todos no mundo temos um lugar e ninguém tira o lugar de ninguém. Pelo menos acredito nisso. E é por isso também, que um dia quando deixar de trabalhar neste Hotel, não vou para mais nenhum).
- Aturar "putos" (refiro-me aqueles de 18, 19 e 20 anos que vêm para aqui armados em adultos. Normalmente as raparigas têm o rei na barriga e olham para mim com desprezo ou com medo que eu lhes roube o namorado. Oh menina, vá mazé para casa. Eu na sua idade não tinha nem autorização para sair à noite. Está ai armada aos cucos só porque vem para um hotel... Grande coisa. Eu venho para cá todos os dias e não digo isso muito alto a ninguém. E pelo menos trago a boa educação comigo.

Assim de repente, é isto que me ocorre. O curioso é que todos os dias surje uma dificuldade nova com a qual tenho de lidar. E nem sempre sei como se lida com isso. Ninguém acredita como é stressante ser Recepcionista de Hotel e a prova disso é que aqui há tempos tive que ir ao médico devido a problemas de ansiedade e ele quase se riu na minha cara quando eu lhe disse que era Recepcionista de Hotel.

Estou tão vacinada contra coisas parvas, que a minha reacção é sempre sorrir, para o bem e para o mal.
Se isto fosse a melhor profissão do mundo eu não andava "à rasquinha" para mudar.

P.S.: Sonhadores e aspirantes a recepcionistas, fujam enquanto é tempo!!! :)





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Relatório de Estágio

Finalmente tive férias como as pessoas normais. Agora, não sei se é o karma ou se é o S. Pedro que se anda a vingar de mim, pelo meu afastamento religioso. Então não é que passei 2 semanas sem ver a ponta de um raio de sol? Enfim, nem tudo é mau. Sou uma pessoa que se contenta com pouco e não ter que me deitar todos os dias às 2h da manhã já é um consolo para mim.
Chegou também a altura em que os estagiários começam a invadir as recepções de hotéis... coitados... andam tão enganadinhos... Oh meninos, fujam enquanto é tempo!!!
Falando em estagiários... São capazes de nos proporcionar momentos hilariantes como este:

1º check-in da estagiária. Os nervos e a pressão atrapalham qualquer novato, o que não é nada favorável ao desempenho deles... Só de me lembrar desmancho-me a rir, não que esteja a fazer pouco, mas é animador ter alguns momentos de humor na recepção.

Hóspede: Boa noite, tenho uma reserva em nome de ...
Eu: Boa noite. Com certeza... um minuto por favor... (depois de avaliar o tipo de hóspede, vejo que é passível de ser atendido pela estagiária e pergunto-lhe: queres fazer o check-in? E ela prontamente me responde com um sim)
Estagiária: Boa noite. Poderia dar-me um documento de identificação por favor?
Hóspede: Aqui tem.
A estagiária recebe o BI e começo a vê-la um bocado confusa e a tentar descodificar as informações que tem à sua frente. Quando me chego à frente para a ajudar, ela adianta-se a mim e pergunta ao hóspede:
Estagiária: Peço desculpa... como é que o Sr. se chama...?!
Eu observo sem me intrometer e o Hóspede simpaticamente responde à pergunta. Comecei a pensar com os meus botões o porquê daquela questão... Deixo prosseguir o check-in, o hóspede vai para o quarto e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, diz-me a estagiária:
- Não conseguia perceber a letra dele!!
Eu: A letra? Que letra?
Estagiária: Da assinatura...
Eu: Mas olha que o nome do hóspede está impresso no verso do BI...

... True story!



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Contos de Fadas!

Era uma vez 3 jovens armados em "gingões" e era uma vez uma recepcionista que não os podia ver nem pintados a ouro.
Eles eram convencidos e com a mania que tinham charme e ela fazia tudo para os evitar. Eles exigiam que as bebidas fossem servidas no salão de jogos e ela impunha o respeito e obrigava-os a levarem eles, as próprias bebidas (de acordo com as ordens superiores).
Uma noite estavam os 3 "gingões" no salão de jogos e a pobre da recepcionista, depois de um dia de cão, por entre reclamações, telefone, tostas e muito trabalho, ficou depois do horário do seu expediente para preparar uma sala para formação no dia seguinte. Andar para cima e para baixo na escadaria a carregar águas, copos e pratinhos era a gota de água do seu dia extenuante. Até que numa das viagens para a Sala se depara com falta de copos e garrafas de água. "Animais", pensou ela. "Foram eles!" A espumar pela boca, a recepcionista chega à sala de jogos para os confrontar "Nós?" - responderam eles - "Acha que temos cara de quem gosta de água?" "Não - pensa ela - têm cara de parvos". A recepcionista abandona o local com os nervos em franja, mais por terem feito dela parva. "Não esperam pela demora", diz a Recepcionista para os seus botões. "Vocês vêm cá pelo menos 1 vez por mês..."
Era uma vez 3 jovens "gingões" que na vez que voltaram ao Hotel levaram com uma conta extra de bar que incluia garrafas de água.... (e não reclamaram...)

Não se metam com os Recepcionistas.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Há coisas assim...

 Dois mexicanos amigos, cada um em seu quarto... O problema é serem muito parecidos... Nem consegui decorar sequer em que quarto é que estava cada um... Só pode dar barraca com certeza.
Chega-me o Mexicano 1 à Recepção e pede uma sandes de presunto e uma água com gás. Pergunta se eu posso levar o petisco ao quarto... "Sí, sin problema" respondo eu no meu melhor sotaque a roçar o mexicano e o espanhol.
Toca o telefone, chegam outras pessoas para o Bar, pessoas para fazer o check-in, enquanto eu tento arranjar a merenda do senhor. Apronto o tabuleiro todo bonitinho e encaminho-me para o quarto. Pelo caminho explico à minha estagiária como segurar bem num tabuleiro sem correr o risco de o deixar cair.
"Knock, Knock". O Mexicano abre-me a porta... E só percebi pela cara que ele fez que me tinha enganado no mexicano....
E eu a pensar que só os chineses e os japoneses é que tinham as caras iguais....







(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A ocasião faz o Ladrão...

Não digam a ninguém, mas uma vez deixei roubar a campainha da Recepção.
Não é que eu não gostasse dela...



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Fim do Mundo nos Hotéis

O Blog entrou num pausa inesperada... não por falta de momentos interessantes, mas por razões de inspiração. No entanto, no meio de tanta trapalhada que vai neste Pais plantado à beira-mar, considerei voltar para os meus Fãs :D
Posso adiantar que o Ano Novo não começou da melhor maneira... Clientes a sairem sem pagar, reclamações e devoluções... Espero que não seja nenhum agoiro ou bruxaria e que o ano que continua a correr não seja o espelho do seu início.

Para já, deixo um pequeno diálogo, proveniente de uma chamada telefónica de serviço de quartos:

Eu: Recepção, boa noite.
Hóspede: Boa noite... olhe... o que é que têm que se possa comer?
Eu: (olho para o relógio: 22h30... penso: acabei de lavar o tacho da sopa, nem penses sugerir que há sopa): temos tostas, torradas, bolo caseiro...
Hóspede: Só sandes e assim... hummmm... Olhe queria uma Torrada e para beber...
Eu: Temos néctares, ice tea, chá...
Hóspede: Pode ser um néctar...
Eu: Tem alguma preferência?
Hóspede: O que é que tem?
Eu: Pêssego, pêra, Laranja, Manga...
Hóspede: E alperce?
Eu: Alperce não temos... lamento
Hóspede: Então pode ser um de alperce por favor.

True Story.

Final da história: acabei por lhe levar um de Laranja e disse ao senhor que já não tínhamos de alperce. ele não se importou.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Coisas Engraçadas



Hoje é o dia dos momentos engraçados. Sempre no dia antes de eu ir de folga, acontece sempre alguma… ou me chateiam até me fazerem chorar, ou simplesmente fazem coisas que só me dão vontade de rir ou me deixam sem saber bem como reagir. Hoje houve um pouco de tudo.
A hora dos check-ins é sempre a mais promissora… Chegam os 3 senhores, mais ou menos habituais da casa, que se perderam no corredor. Mais, perderam-se uns dos outros e vieram pedir a minha ajuda. Quando encontrei o responsável, veio reclamar comigo porque a reserva que pediu à Empresa era na Ala onde eles se perderam… Não encontravam o quarto obviamente, mas mesmo assim insistiam em andar lá às voltas no corredor, como que por magia os quartos, que são de outra Ala aparecessem assim ali… teimosos os hóspedes hein? E a culpa ainda foi minha. Só me limitei a fazer a reserva conforme me chegou às mãos. Os recepcionistas são os Bodes Expiatórios para tudo… até para a televisão que não dava do senhor chique. O mesmo senhor que veio reclamar do ar condicionado… Gentilmente troquei-lhe o quarto. Quando desceu para a Recepção disse: olhe, enquanto estava a mudar as coisas, o ar condicionado já estava a funcionar… mas não quis voltar para lá.” Poiiiiss… quando eu digo que têm de esperar uns minutos para o termóstato do ar condicionado aquecer, é porque têm de esperar uns minutos! Estão num Hotel, mas as coisas não são todas automáticas e como desejam. Somos Recepcionistas, não Génios da Lâmpada. Este mesmo senhor, fez  pouco dos outros 3 quando chegou um deles à Recepção a pedir ajuda pelos desaparecidos… “Queria ver se fosse no Egipto… Lá são centenas de quartos ahahahahah” 
Oh senhor… ninguém queria saber que já esteve no Egipto…





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

How do you talk to an angel?

 Diálogo do dia:

Hóspede: Boa noite tenho uma reserva em nome de blá blá blá....
Recepcionista (Eu): Boa noite ....
(... procedimentos de check-in: pedido de identificação... o usual)
Recepcionista (Eu): A dormida é para facturar a empresa correcto?
Hóspede: Correcto...
Rececpcionista (Eu): Não tenho a certeza de já termos aqui os dados da Empresa...
Hóspede: Não tem porque ainda não lhos dei....


Eu, Recepcionista, não sei se às vezes hei-de mandar com a maquina multibanco na cabeça dos hóspedes ou se hei-de respirar fundo e pedir paciência (normalmente escolho a opção 2).

By the way, eu tentei fazer ver ao hóspede que só perguntei aquilo porque a Empresa já cá podia ter estado antes... escusava de ter que estar a perder tempo a dar-me os dados de novo... Mas um: "Penso que não" por parte do hóspede tinha feito o meu dia feliz.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Love (Christmas) is in the air

 Neste tempo de Natal, todos os sentimentos bonitos andam no ar: paz, alegria e amor. Muito amor, especialmente. E como é que eu sei disto?
Falando especificamente do amor que anda no ar... mais que no dia de S. Valentim, o Natal tem inspirado muitos "casais" a visitarem o Hotel. Não é segredo nenhum, que não há quem se importe de pagar 60 euros só por umas 3 horitas no máximo.
Esta semana foi um record brutal, com uma média de 2 casais por dia.
No meio disto, existem as histórias engraçadas, como a senhora que ligou pouco tempo depois a perguntar se estava a sua aliança no quarto... e o senhor que entregou a chave e disse que iam jantar, mas que deixou a porta do quarto escancarada e a sua companheira passou a correr pela recepção.
Só gostava de deixar uma coisa clara, eu sou daquelas pessoas que não se mete na vida dos outros. Nem quero saber quem é que vem faze companhia a quem. Srs. hóspedes, fiquem descansados que o que se passa dentro do Hotel, é sigilo profissonal. Limitamo-nos a comentar entre nós e a fazer um concurso de "hóspedes que deixam o quarto mais desarrumado" :)




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ser Recepcionista...



Hoje é daqueles dias em que tudo acontece… Uma pessoa não pode vir de folga descansadinha, que tem que começar logo com o turbo. Se eu mandasse, colocava aqueles empresários dos colchões e dos artigos para o lar dentro de um saco a socializar. Porque é que têm de vir para os hotéis aborrecer as pessoas que cá trabalham e pior ainda, fazer de nós as suas recepcionistas. Mas o que me parte o coração são as pessoas de idade que vem ao engano, que alugam táxis em busca de prémios prometidos. Eu confesso que sou a primeira pessoa a mandar os “felizes contemplados” para casa, assim que eles me perguntam se vale a pena ir ter com os Srs. Empresários. Só falo se me perguntam ou se fazem aquela cara de quererem saber mais. Tenho pena das pessoas. Só costumo dizer que “ninguém dá nada a ninguém” (e exemplo disso é a história dos amendoins…) Espero que sirva de exemplo.

Apesar de eu ter vindo nestes últimos posts a reclamar muito, assumo com orgulho que sou a recepcionista simpática que recebe os hóspedes com um sorriso, lhes abre a porta e se for preciso ajudo com as malas. Mimo bastante os hóspedes que merecem (aqueles que são parvos e abrutalhados levam com o pior serviço). Eu sou a recepcionista que acende a lareira porque os hóspedes gostam de ver, ofereço um copito ou outro de uma bebida que nunca provaram, ligo o ar condicionado nos quartos para que estejam quentinhos e aos hóspedes que merecem, tiro um bom bocado para promover os locais turísticos, dizer onde se come melhor, o que visitar nas redondezas, como chegar e ainda ofereço mapas. Claro que os que se armam em importantes logo à chegada, só levam com o meu sorriso forçado. Como aquela hóspede habitual que me ficou atravessada, desde que reclamou comigo por lhe dar troco em moedas pequeninas… eu estava a ter uma crise de tosse em plena reclamação e não vi uma pinga de consideração. Desde esse dia, deixei de a tratar pelo nome e de me armar em simpática. Na verdade, até tenho pena… enfim… se me tratasse bem, continuava a oferecer-lhe o iogurte ou o kiwi depois de jantar.
Aprendi uma vez numa aula de inglês que “behavior breeds behavior” e a minha conduta passa exactamente por isso. Muitas vezes, naqueles dias maus em que só quero ir para casa, penso que do outro lado do balcão poderia estar eu, ou alguém da minha família. É na altura em que os hóspedes são melhor servidos por mim e sinto-me realmente gratificada… gostava que noutros locais tivessem a mesma ideologia. No entanto, não abusar da confiança ou da simpatia da recepcionista. Por incrível que possa parecer, somos muitas vezes alvo de tentativas de humilhação e atrevimento… mas isso, são outras histórias.

 
fonte da imagem: roblox.com




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Detalhes da Polivalência...

Em conversa com um simpático hóspede, chegámos à conclusão da importância que a polivalência tem hoje em dia... mais do que uma qualidade é quase um requisito para qualquer área de emprego, inclui, obviamente a Hotelaria.
De polivalência percebo eu, como já puderam verificar e por isso não vou estar aqui a repetir a minha lista infinita de afazeres a partir do momento que entro ao serviço.
A parte positiva da polivalência é sem dúvida ter sempre que fazer... Pelo menos não se tem tempo para ter frio em dias de extra-polivalência, para além da qualificação com que uma pessoa fica... Não nos restringimos a saber apenas uma coisa, fazemos várias e bem (a maior parte das vezes) e realmente aprendemos (como eu já aprendi por exemplo, a servir pessoas com aquela técnica da colher e do garfo, ensinada por especialistas. Obrigada :) )
 No entanto, como tudo na vida, também a polivalência tem os seus aspectos negativos e é isso que vou enumerar aqui hoje (não sei como, mas esses aspectos negativos coincidem exactamente com situações que já vivi...). Aqui vai a lista:

1- Primeira desvantagem da polivalência: Torradas Queimadas - se eu estou a meio de fazer uma torrada na Copa e me aparece alguém na recepção que se prolonga mais que o que eu desejava, obviamente que a torrada se vai queimar (a não ser que seja o meu dia de sorte).

2- Segunda desvantagem da polivalência: Esquecimento nº 1 - se eu atendo o telefone para um pedido de Room Service e logo a seguir me aparece alguém na Recepção para lhe mostrar os quartos e lhe explicar os preços, só me vou lembrar de atender o pedido do Hóspede meia hora depois da outra pessoa ter saido (a vantagem é que posso desculpar o "ligeiro" atraso com: estou sozinha, sabe.. é complicado... polivalência e tal...).
- Esquecimento nº 2 -  se alguém me pede o serviço de despertar e eu não anotar na hora, porque vem alguém solicitar-me uma tosta, uma meia de leite e uma fatia de bolo, só me vou lembrar com toda a certeza no dia a seguir, quando estiver numa hora mais ou menos calma na Recepção... com toda a certeza... (não estou a dizer que já aconteceu...).
- Esquecimento nº 3 - Esquecer-me de recados de colegas porque o Hotel esteve cheio até às costuras e não consegui ter tempo de ligar ao Electricista ou desligar a água da piscina.
- Ou seja, Esquecimento em Geral, a ponto de por vezes ficarem pessoas na Sala de Tv à espera da Imperial e dos amendoins...

3- Terceira desvantagem da polivalência: Frustração - é realmente frustrante querer prestar um bom serviço, mas dar-me conta que não consigo estar em todo o lado a tentar fazer um serviço eficiente. É impossível encarregar-me eficientemente do Room Service, quando tenho pessoas na Recepção à espera de fazer o check-in e outras à espera de saber se tenho quartos. Não consigo estar em dois lados ao mesmo tempo, o que também me leva a querer despachar as pessoas que querem ver os quartos, para ir atender o telefone e deixar à espera o desgraçado que está no Bar já desde que fui levar o cházinho ao quarto. É frustrante e por muito que me esforce nunca consigo agradar a todos os hóspedes. Nem todos entendem que sozinha, é impossível atender toda a gente e ainda se mostram indignidos por terem que aguardar a sua vez.


Apesar de tudo, já não sei viver sem o stress e a frustração interior na hora do serviço. Nessas horas, só peço que tudo acabe depressa e que eu consiga gerir tudo.
De resto, só tenho que pedir desculpa, por não conseguir ser perfeita. Quem faz o que pode, a mais não é obrigado, não é assim?


 fonte da imagem: micka-pedagogia-saomarcos.blogspot.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dinner Time!

Hoje foi daqueles dias em que está tudo morto em metade do meu turno e numa hora aparece tudo.
Estava a sopa a ferver quando tive que atender o telefone e enquanto pensava na tosta que teria um aspecto bronzeado exagerado, tive que aparentar uma falsa calma a explicar à senhora do telefone a ementa do jantar buffet para grupos. Normalmente, quando vejo que não há volta a dar, admito a derrota... E só penso na tosta negrinha. Enquanto atravesso o corredor tenho a esperança que está naquele tom dourado apetecível... Até que o alarme de fogo dispara e a minha esperança cai por terra. Pior que o bulício que causo no hotel, é ter que voltar a fazer outra tosta, correndo o risco de tocar o telefone de novo. Com a copa enfumarada, lembro-me de repente do meu frango com esparguete que ficou em stand-by quando tive que ir atender a hóspede que queria uma sopa... Ai se tivesse sido só uma sopa...
Depois do regresso à normalidade, sento-me confortavelmente a degustar o meu jantar. A campainha "engraçada" da recepção toca, mesmo na altura em que eu estava a saborear a melhor parte do frango...
Quando estou a comer e aparece alguém tenho 2 hipóteses:
1- Se aparece exactamente no momento em que estou a meter o garfo à boca, desisto logo ali... enquanto vou a augar pelo pedaço de comida que rejeitei a mim própria.
2 - Habitualmente aparecem quando eu já tenho a boca cheia... então a solução é ir a mastigar pelo caminho e a engolir feita pelicano.
Nunca me engasguei enquanto alcançava a recepção, mas por via de dúvidas aprendi a fazer a manobra de Heimlich a mim própria... não vá o diabo tecê-las.

fonte da imagem: samluce.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 10 de novembro de 2012

Tururururu Inspector Gadget....

Todos os hotéis padecem deste atentado: objectos que desaparecem... Muitos dos que desaparecem comportam custos que os nossos queridos hóspedes não se lembram na hora de os guardarem religiosamente nas suas malas. "É só uma toalhita..." pensam eles... Mas não é só uma toalhita... todos os hóspedes pensam isso! As poças de água também se fazem gota a gota...
Há objectos que desaparecem que são bastante curiosos... Todas as pessoas têm os seus gostos e as suas preferências de colecções!
Aqui fica uma lista dos objectos que mais desaparecem aqui do Hotel. Gosto de lhes chamar souvenirs.

- Tampas de Banheira (a primeira vez que comecei a reparar, também fiquei num misto de surpresa e choque. Cada um com a sua mania);
- Toalhas (o mais comum... mas o normal é as pessoas levarem uma só toalha (a de rosto ou a de banho, normalmente), mas já aconteceu pessoas levarem o jogo de toalhas completo...);
- Roupões fofinhos dos quartos especiais (acredito piamente que estes hóspedes querem dar continuidade à fofice da noite passada, em sua casa. Comprem roupões! De seda!)
- Cabides (vão ao IKEA, por favor...)
- Comandos de TV (é compreensível também... o que sucede é que aqui no hotel os comandos não são universais... o nosso querido hóspede está sujeito a chegar a casa e o comando não funcionar);
- Comandos do Ar Condicionado (é assim que as lojas de electrodomésticos vão à falência. Hoje o comando, na próxima levam o ar condicionado.);
- Carregador dos Routers da Internet (nem os routers que estão nos corredores escapam à chacina dos desaparecimentos... Depois queixam-se que não têm internet... Por favor, venham até à Recepção porque nós temos carregadores para todas as necessidades!);
- Bules de Chá, que vão para os quartos (só não entendo porque não levam logo o serviço de chá completo. Pelo menos não davam tanto nas vistas. E já agora o tabuleiro também. Sem vestígios que algum dia foi servido um chá no quarto).
- Suporte de Guardanapos (olhem que aquilo não é prata!!!...)



Agora, coisas que podiam levar e não tinham muita importância são as Bases de Copos! Têm o logótipo, são resistentes, dá para escrever e podem coleccioná-las verdadeiramente! Imaginem como seria chique receberem os amigos lá em casa e colocarem na imaculada mesa de pinho as bases de copos dos hotéis onde passaram (ou só de um… para combinar tudo)! Seriam o centro das atenções… Quais toalhas, qual quê…


fonte da imagem: faroldenoticias.com.br


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
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