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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Insólitos na procura de um Emprego

Não escondo que gosto de estudar o mercado de trabalho e saber que ofertas andam por aí... porque nunca se sabe que oportunidades estão à minha espera. Segundo dizem é sempre mais fácil mudar de emprego quando ainda estamos empregados... Ou então não. Tenho passado, ultimamente, por situações muito insólitas. Não me vou estender na sua descrição, para não alimentar mais a minha fúria interior. Deixo o resto dos pensamentos à vossa consideração... Sintam-se à vontade para partilhar também as vossas "cenas insólitas"... :)

Cena insólita nº 1: Ligo para um número para responder a uma oferta de emprego. O "senhor" desliga-me o telefone na cara a pensar que eu estava a mentir sobre a minha localização geográfica. Torno a ligar de outro número, uns dias depois. Ele assegura que aquele número já lhe tinha ligado porque terminava por 444... A minha pergunta é... quantos números não andam por aí com as mesmas terminações. Desligou-me o telefone na cara. O que eu penso sobre este "senhor":
  1. Que é um óptimo gestor de recursos humanos e de candidaturas;
  2. Que tem um negócio ilícito qualquer.
Não voltei a ligar. Que medo.

Cena insólita nº 2: Novamente o telefone. Novamente a má educação por estar a responder a uma oferta de emprego, estando já eu empregada. Ainda bem que sou "rejeitada" logo à partida. Para trabalhar com mentes tão pequeninas vale mais "estar quieta".

Cena insólita nº 3:Esta não é bem uma cena insólita... é mais um desabafo. Porque é que agora todos os cargos interessantes só pedem estágios profissionais? Na verdade eu sei porquê, mas gostava que alguém me explicasse melhor... 
Damn you.

 Cena insólita nº 4: Fruto de anúncios que vou publicando, numa espécie de "mini-currículos", vou recebendo chamadas com propostas pouco ortodoxas (não, não tenho interesse em apoiar na edição de filmes para adultos) e pouco adaptadas ao meu anúncio (não, também não quero trabalhar em "bares" e não estou disponível para trabalhar à noite. E ainda há aquela chamada que aconteceu há uns 15 minutos em que o "senhor telefonista"da parte da Randstad referiu que tinha uma proposta de emprego para a minha área. Eu desconfio logo na voz das pessoas, mas ainda assim lhes dou algum crédito. Então sucede que o "senhor telefonista" me pediu para aguardar pois ia passar a chamada ao Técnico, mas por sua vez o Técnico estava numa chamada. Durante aqueles 2 minutos em que estava feita parva à espera pensei... se o Técnico estava numa chamada, obviamente que não ia pedir uma outra e deixar a pessoa à espera. Não é assim que funciona. E sim, mais uma vez fiz de trouxa.

Ainda dizem que há esperança na Humanidade...







(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 11 de janeiro de 2015

The grass is greener where it rains.

Hoje está na algibeira um post demasiado depressivo para ser escrito aqui mas vou-me conter porque o Mundo já é um lugar demasiado triste. Precisava apenas de estar diante desta caixinha de texto por saber que alguém há-de estar desse lado.
Os domingos são, pontualmente, os dias mais emocionalmente desgastantes, o que me dificulta ultrapassar com equilíbrio uma semana de trabalho...
Acho que me estou a desculpar com o pobre do domingo, que não tem culpa desta minha veia depressiva, cada vez mais acentuada. Nem o domingo tem culpa, nem as pessoas à minha volta a têm. O grande problema está em mim. Mas a grande culpada desta minha desorientação, deste meu "afundamento" é da minha ocupação profissional. Está a sugar-me a sanidade, a auto-estima, as horas de sono e tudo o que já fui. Tenho medo de afastar as pessoas que me querem bem. Ninguém atura muito tempo uma "maluquinha". Eu já ando cansada de mim... imagino os outros. Não quero ficar sozinha...
Não estou bem, a sério. E só eu me posso ajudar. Mas como me sinto num beco sem saída, não tenho bem a certeza do que fazer para me ajudar. Quer dizer, tenho uma pequena ideia, mas não pode ser transcrita para o mundo real. Hoje escrevo a página nº 11 de 365, no total. Quem sabe se amanhã não será um novo capítulo?




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sentimento Pós-Férias

 Depois de umas férias minúsculas estou de regresso ao trabalho e às frustrações diárias. Este pequeno personagem demonstra exactamente a minha cara e o que senti hoje ao acordar. Na verdade, tenho noção que acordei a meio da noite já traumatizada e a pensar que tinha que regressar ao meu local de trabalho.
Este é o sentimento que se vai reiterar até que:
1. alguém me despeça;
2. eu "me passe dos carretos" e num acessa discussão me demita;
3. eu me demita simplesmente;
4. eu me demita porque encontrei outro emprego;
5. até que aconteça o Milagre que anseio e ninguém me queira renovar o contrato;
6. simplesmente saia deste emprego.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Eu e os conflitos interiores

O mês de Dezembro é o meu preferido. Ainda assim, tenho vivido num antagonismo... Quando acordo e penso que tenho de ir para o trabalho, só desejo que o dia chegue depressa ao fim... ou pelo menos que as 18H00 cheguem depressa. E assim tem passado o meu querido mês de Dezembro... metade do mês já lá vai... e eu neste sofrimento existencial. Não há nada mais triste que olhar pela janela e desejar estar lá fora, mas não ter coragem de deixar tudo assim "do pé para a mão". Ando em busca das oportunidades, só Deus sabe... Ando à procura dos meus momentos simples de felicidade, tentando que os meus dias maus não se sobreponham à tranquilidade desta época que tanto adoro. Não tenho conseguido, excepto quando não estou sozinha. É muito difícil querer seguir em frente quando não temos uma estrada, quando ninguém nos abre a porta... ou uma janela. E que isto não saia daqui, mas a minha produtividade tem sido zero. Só me tenho preocupado em procurar emprego, em criar possibilidades na minha vida. Estou realmente à espera de uma intervenção divina: ou que me despeçam ou que eu encontre alguma coisa depressa... é que o relógio continua a contar e não tarda chega a data da "renovação do contrato". Alguém desse lado que reze por mim, por favor. Só me quero libertar.
Obrigada.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Carta ao Pai Natal

A árvore de Natal está montada, a casa decorada, o aconchego do lar reitera-se, a lista de presentes está definida em processo de conclusão e só falta a tradicional Carta ao Pai Natal.
Tenho escrito algumas ao longo da minha existência... recordo-me daquelas que são mais felizes em que só pedia nenucos e bonecas Pinypon. Outras estão espalhadas aí por outros blogs aos quais não posso fazer referência, só por esta questão de "anonimato".

Hoje, decidi escrever a carta para este Ano vindouro. Estou mesmo no dia perfeito para escrever os meus pedidos: sinto-me como todos os dias - sem inspiração, sem esperança no futuro, com raiva do mundo e de todos os que se acham superiores.

Querido Pai Natal,

Sei que tenho sido uma pessoa bipolar nos últimos meses. Se houvesse um gráfico que ilustrasse o meu estado de espírito ao longo de 2014 seria uma espécie de montanha russa, com predominância para quedas vertiginosas nos últimos meses.
Tu sabes que me empenho nos meus projectos e que me considero uma pessoa altamente sonhadora e positiva em relação às minhas ideias, à concretização de projectos... não me falta força de vontade, mas neste momento não tenho como me manobrar. Estou num beco sem saída. 
Obrigada porque me presenteaste este ano com um emprego diferente; não posso não estar grata por esse presente. No entanto, sabes que esta minha ocupação profissional está cada vez mais longe das expectativas. é muito difícil trabalhar com pessoas inflexíveis, individualistas e que me tratam como uma miúda... Querido Pai Natal, tu sabes como isso está a matar a minha auto-estima, a deprimir os meus dias e a destruir a felicidade que gostava de ver nas pequenas coisas. É muito difícil chegar às 9H00 e já ter alguém a falar mal do chefe, do trabalho, da vida, dos dias e de qualquer outra porcaria que lhe venha a cabeça que só desilude e deprime as pessoas que estão à sua volta. Estou assim desde Janeiro, Pai Natal. Nos primeiros meses o trabalho era suportável porque queremos sempre impressionar as pessoas e eu vinha muito motivada. Mas agora é insuportável trabalhar assim neste ambiente. Em que a Direcção não quer saber dos empregados e onde cada "colega" de trabalho só está preocupado em tramar a vida dos outros. Não sei viver num clima de individualismo e arrogância. Como é que eu tenho uma chefe que vai de férias e me deixa na mão?
Eu sei que todos os trabalho têm os seus dias maus e difíceis, mas não considero normal que o meu emprego seja péssimo todos os dias. Por isso, Pai Natal, só te vinha pedir a possibilidade de sair do meu emprego. Eu sei que sou uma egoísta, pois existe tanta gente à procura de um trabalho e eu "deveria era agradecer o que tenho". Sou uma egoísta, eu sei. Mas eu só queria ser feliz.
Começo a pensar que escolhi a profissão errada, o curso, sei lá... Quero mudar o rumo da minha vida e é isto que te venho pedir para 2015. Por favor Pai Natal, ajuda-me. Ajuda-me! Não quero continuar aqui mais um ano... não quero...

De resto, tenho muita coisa para te agradecer também: por ter a minha família junto a mim, por todos estarem vivos mais um ano. Tenho uma relação muito saudável, que me equilibra, completa e me preenche. Sou muito feliz ao lado dele. Sou genuinamente feliz, mesmo nos dias em que me apetece desaparecer e chorar até não poder mais. Neste momento, é das poucas coisas que realmente dá sentido à minha vida. Podes acreditar, Pai Natal.

Obrigada pelas oportunidades que me dás para eu ser feliz: poder aconchegar-me no sofá e partilhar tempo com alguém; passear de mão dada nem que seja no supermercado; o tempo que ainda tenho disponível para fazer o que eu gosto; poder ir às compras com a minha mãe; passear o meu cão nos dias de Verão; dormir a sesta com o meu gato aos pés; viver momentos que não voltam mais, mas que me enchem de felicidade e tranquilidade.

Não te esqueças de mim, querido Pai Natal, nem das pessoas que estão à minha volta.

Obrigada.





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Questões Existenciais

Aqui há dias passei os olhos por um artigo muito interessante intitulado: "30 perguntas que me fizeram desistir do meu trabalho e começar a viajar" (traduzido do inglês)
Tendo em conta que ando numa fase de muita introspecção, decidi adaptar estas perguntas à mudança. Porque é que ainda não mudei?

1. Se não for agora, então é quando?
Se não for agora, acho que não será mais tarde. O sexto sentido não me engana e realmente sinto que o momento é agora.
2. O que é que farias se ninguém te julgasse?
Despedia-me do meu actual emprego, tirava um curso de formação, arranjava um part-time em qualquer lugar para poder financiar a formação e abraçava o meu projecto turístico com toda a força. O melhor é que me poderia dedicar a formar as pessoas, a ensinar e a fazer a diferença nas suas vidas. É o meu grande sonho.
3. Fizeste alguma coisa  que valha a pena ser lembrada mais tarde?
Sou parte de uma relação feliz.

4. Tempo ou dinheiro
TEMPO.
5. Qual é a coisa da qual te sentes mais orgulhoso(a) mas que nunca colocarias num Currículo?
Sinto-me orgulhosa por ser tão determinada, por ter um espírito empreendedor, por organizar tão bem a minha casa, os espaços. Sinto-me orgulhosa por tudo o que eu faço com muito amor. Sinto-me orgulhosa de ter viajado sozinha para um país estrangeiro e ter conseguido "sobreviver".
6. Daqui a 20 anos o que é que queres recordar?
Quero recordar a mudança. Que fui capaz.
7. Se tivesses que mudar de país para onde seria e porquê?
Gostava de mudar para a Alemanha. Sei que é um amor incompreendido, mas identifico-me muito com a cultura. E adoro a língua. E a gastronomia :)
8. Qual é a coisa que sempre quiseste fazer desde que eras uma criança?
Viajar muito.
9. Quando é que te apercebeste que a vida é demasiado curta?
Quando comecei a perceber que tenho desperdiçado o meu tempo em coisas que não gosto realmente de fazer.

10. Que memória do passado te faz mesmo sorrir?
Quando consegui entrar na Universidade.
11. Sentes-te orgulhoso (a) do que estás a fazer ou do que já fizeste?
Do que eu já fiz.
12. Daqui a um ano como é que queres ser diferente?
Quero ser diferente como profissional.
13. Estás a fazer aquilo em que acreditas ou estás a contentar-te com o que fazes?
Estou a não querer contentar-me.
14. O que é que precisas para fazer acontecer?
Preciso de que alguém me empurre e me faça acreditar. Que me diga: arrisca, não importa que falhes, mas pelo menos vais em busca do teu sonho. 
15. O que é que realmente amas na vida?
A paz, os dias de sol, as folhas no outono, a família, o amor, a tranquilidade.
16. Quando é que foi a última vez que notaste o som da tua própria respiração?
Quando decidi experimentar Yoga.
17. O teu maior medo alguma vez se tornou realidade?
Não. Mas eventualmente tornará. Não há nada pior que termos medo de perder as pessoas que mais amamos e isso realmente suceder, um dia.

18. O que é o sucesso para ti?
O sucesso é ser feliz no que eu faço. Sucesso é sentir-me completamente realizada profissionalmente. Sem fingimentos.
19. O que te faz sentir maravilhosa em relação a ti?
A minha capacidade de amar as pessoas à minha volta.
20. O que é que mais admiras no mundo?
A Natureza. A obra de Deus.
21. Se a vida é tão curta, porque é que fazemos tantas coisas que não gostamos?
Por obrigação. Por medo. 
22. Quando é que foi a última vez que começaste alguma coisa nova?
Ontem. Porque na verdade ideias e projectos não me faltam... falta-me saber que consigo ir mais longe. Saber que se fosse possível, arriscaria tudo.
23. Por ordem de importância, como classificarias: felicidade, dinheiro, amor, saúde, fama?
Felicidade, Amor, Saúde, Dinheiro, Fama.
24. O que e que não durou para sempre, mas mesmo assim valeu a pena?
Trabalhar nas "Casinhas de Natal".
25. O que é que o medo ou o facto de falhar te impediu de fazer?
Seguir realmente o rumo que quero dar à minha vida. É a única coisa que neste momento me impede.
26. Numa palavra, como é que passarias o último mês da tua vida?
Vivendo sem limitações (está bem, foram 3 palavras... mas necessárias :))

27. Pelo que queres ser conhecida(o)?
Pela perseverança.
28. Pelo que é que estás agradecida (o)?
No meio de todo o caos que muitas vezes sou responsável, tenho a dizer que sou uma pessoa abençoada, pela família que tenho, pelo namorado, pelos pequenos luxos que posso fazer. Por ter um tecto, por ser saudável e por ter pessoas que realmente se preocupam comigo.

29. O que é que precisas de deixar ir?
A insegurança e a tristeza.
30. Se ainda não conquistaste o que é que tens a perder?
A credibilidade perante as pessoas...

O meu propósito tem sido descobrir porque é que ainda não desisti e "parti para outra". Muitas vezes os receios falam mais alto e colocamos muita coisa em jogo, em particular a nossa sanidade mental.
Seria tudo mais fácil se realmente conseguíssemos ir em busca do que nos faz realmente felizes.


Este artigo foi inspirado em: http://www.travelettes.net/30-questions-that-made-me-quit-my-job-and-start-traveling/


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Sometimes you win, sometimes you learn"

Às vezes não sei se é defeito meu, se exijo demasiado do mundo, se tenho expectativas tão grandes que acabo por me "auto-defraudar". Estou numa fase em que me sinto completamente à deriva. Eu sei que o Blog é para vos entreter um pouco, para contar coisas engraçadas... mas hoje sinto mesmo que bati no fundo. Estou a precisar simplesmente de escrever. De desabafar. Estou a precisar de exteriorizar tudo, sem pensar que alguém que me esteja a ouvir está a pensar que eu sou apenas doida, que ando sempre a arranjar conflitos interiores. Sem pensar que estou a desiludir alguém.
Estava sentada no meu gabinete, a ver a chuva a cair e a tentar concentrar-me. Mas não conseguia. Só tinha mesmo vontade de pegar nas minhas coisas e não voltar a aparecer mais. O que é que se passa. Perguntam-me... vocês, o mundo, eu... Não sei, respondo eu. Respondo-vos a vocês, ao mundo, a mim. Simplesmente não sei. Simplesmente descobri que não me sinto realizada em nada que faça. Simplesmente me dei conta que ando a deixar passar os dias e não faço nada por mim, pelos meus sonhos e começo a acreditar que é tarde demais. Porque no meu projecto de vida, já deveria estar orientada. Mas não estou. Sinto-me sozinha e sem norte. Sinto-me realmente à deriva. Tenho os meus sonhos encaixotados, a espreitarem de vez em quando, como se fossem uns pequenos olhinhos num caixote arrumado num sótão escuro.
O que realmente me apetecia era largar tudo. Largar tudo e lutar pelos meus sonhos. Apetecia-me que não existissem coisas negativas. Apetecia-me estar por minha conta, que o dinheiro não fosse importante e que eu pudesse simplesmente partir em busca disto tudo que tenho atravessado no meu caminho.
Estou perdida. Estou mesmo perdida. Nunca me senti assim. Não é como quando queria sair do Hotel, não é como quando me sentia parada no meu percurso. Não sinto que estou pelos cabelos. O que sinto é desanimo, covardia... sinto-me muito pequenina. Sinto que não tenho motivação. Sinto que realmente ainda não encontrei o meu caminho.
Não sinto que queira desistir, na verdade quero ir à luta, mas não por esta causa. Este ainda não é o meu lugar. E quando me apercebo disso, sem saber o que fazer, só consigo deixar rolar estas lagrimitas... E quem me dera que elas resolvessem tudo. Como eu gostava de tirar este nó da minha garganta... porque ultimamente é assim que acordo. Com um nó permanente, como que a lembrar-me do que está a faltar na minha vida. Do que eu deveria estar a fazer. E eu vou engolindo em seco, a ver se passa. Mas cada vez está maior. Cada vez é mais difícil engolir. O que é que eu faço? Estou tão perdida. Quero sair dali. Mas e depois? Estou a falhar na expectativa de todos. Como é que eu vou levar isto para a frente? Como é que eu engulo este nó? Como é que cheguei aqui assim...
Estou lá no fundinho e a acenar a minha mão. Preciso de ajuda.

Será que me aborreço depressa demais das coisas? Sou uma mal agradecida? Será que sou uma pessoa inconformada? Não sei. Não sei nada.
Não quero voltar para lá. Não é o que quero. Sinto-me triste, porque não entendo o que sou. Não entendo porque não me sinto realizada. Só há uma coisa que eu sei: sei o que quero para mim. Só sei que quero trabalhar para mim. Só não tenho é coragem de enfrentar o mundo. Preciso de um novo milagre. Com urgência...

Desculpem o desabafo.






(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estar no lodo.

Encontro-me num lodo desgraçado.
Para quem não sabe, estar no lodo é uma giría na restauração, que significa estar completamente desorientado, cheio de trabalho e sem saber por onde se virar.
Assim estou eu, e não estou num Hotel. Aprendi este conceito com o meu primeiro companheiro do turno da tarde; um senhor com idade para ser quase meu avô. Muito simpático, paciente e que me ensinou coisas que eu senti que não aprenderia com mais ninguém.
O bichinho do empreendedorismo continuar a mexer-se cá dentro e nos meus piores dias fica-me a segredar ao ouvido: sai porta fora!
Mas ainda não tive coragem.
O que mais me magoa no mundo, não é trabalhar até cair para o lado. É trabalhar para pessoas que são egoístas, rancorosas, vingativas e sem consideração pelo próprio.
Alguém me diz, para que lado fica o norte? Ou a porta de saída. Só para apanhar ar fresco.





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dream Mode: On

Ainda influenciada pela música de ontem, pus-me a sonhar um pouco... aquela letra tem qualquer coisa que me desperta desejo nas coisas. Faz-me querer que me peçam para me mimar e para cuidarem de mim. Faz-me querer receber um ramo de flores no local de trabalho, faz-me querer receber, inesperadamente, cupcakes lamechas, cheios de chocolate e morangos. Faz-me querer que me dêem um beijo na minha bochecha e no olhar se veja o quanto me amam. Faz-me querer que partilhem os sentimentos bonitos. Faz-me querer que me surpreendam, me deixem recadinhos, mensagens, frases bonitas. Faz-me querer voar até às nuvens. Faz-me querer ser uma personagem numa bonita história de amor. Faz-me querer não querer acordar.
Não há nada mais bonito no mundo do que sentirmos que somos uma pessoa amada. Não há nada mais triste no mundo que sentir que não somos mais nada.

E sim... a tal música continua em modo repeat.



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ano Novo, Vida Nova

É um cliché. Mas nunca pareceu tão certo. Ano Novo, Vida Nova e finalmente encontrei a minha vida nova. Aquela que eu procurava, que eu literalmente sonhava em ter. Um emprego das 9h-18h, poder apanhar trânsito no regresso a casa (sim, sabe-me bem não ser a única a conduzir como acontecia quando saia perto da 01h da manhã :) ), ter uma experiência diferente todos os dias que não incluem novas maneiras de fazer tostas deliciosas ou resolver um problema inimaginável, ter hora para refeições, poder ir descansada fazer xixi sem ter a preocupação que alguém vai "tocar à campainha" da recepção... são cenários que ainda me traumatizam e povoam de vez em quando o meu pensamento. Do que tenho saudades?... hummm... hummm... .... Das conversas. Dos estagiários.
Apenas :)
Estou numa área totalmente diferente em que não tenho que aturar clientes, reclamações nem investidas pouco oportunas... Tenho um gabinete só para mim e que posso personalizar. Tenho papéis de responsabilidade que implicam mudanças de estratégias na área do Turismo. Estou na minha praia :)
Sinto-me realizada e feliz e sei que tudo o que experimentei e vivi me trouxeram a este lugar onde estou hoje. E tenho também a certeza que virão histórias engraçadas para contar. Posso adiantar apenas que agora trabalho para o Departamento de Comunicação e Marketing de uma entidade privada, responsável pela promoção de Agentes Económicos e mais não posso adiantar :)
E para este Ano Novo, só desejo que todos sejam felizes nas suas ocupações. É importante gostarmos do que fazemos.

Tenho recebido muitos e-mails que leio com muito carinho e apreço. Recebo histórias, desabafos ou apenas palavras amigas. Tenho-me revisto em muitos testemunhos e gosto de pensar que este Blog tem sido uma companhia :) Agradeço muito todos os e-mails que recebo, todo o reconhecimento e todo o companheirismo. Obrigada por seguirem o Blog.






















(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Let's get it started...

Estou já sem unhas de tanto as roer, tal é o nervoso miudinho. Do que é que tenho receio? Não sei bem... de falhar, de não saber lidar com as pessoas, de não me adaptar...
Apesar de ter experiência ao balcão, de ter experiência e ser dedicada no atendimento ao público, são os colegas que sempre me metem mais medo. Fui feita para trabalhar isolada do mundo, encaixotada numa secretária, sem ter que lidar com equipas de trabalho, especialmente em meios pequenos. É tão irónico...
Sou tão fechada ao mundo que tenho pânico de pessoas novas. Não gosto de conversas de circunstâncias, de contar a minha vida a colegas de trabalho... gosto apenas de ser eu, caladita, reservada e sem me sentir na obrigação de ter que estar a fingir coisas que não sou. Toda a gente diz que devemos ser nós próprios, não temos que agradar a toda a gente.... e será que isso se pode aplicar no mundo do trabalho? Se formos profissionais, não precisamos de ser mais nada. Não precisamos de ser uns cínicos, super queridinhos uns para os outros. Só temos que chegar, fazer o nosso trabalho e não misturar mais nada. É assim que eu gosto, a menos que se encontre alguém no local de trabalho que nos inspire confiança e torne o trabalho mais leve e suportável.
O problema é que trabalhando só com mulheres, duvido muito... mas posso estar enganada


Até breve, de um novo local de trabalho :)




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Goodbye, cruel world!

É oficial! Estou divorciada da hotelaria. Estive de férias, é verdade, e algumas coisas mudaram... segundo a minha perspectiva, para melhor... but who knows?
Para não pensarem que sou uma pessoa sem consideração nenhuma pela Hotelaria, esta área que prontamente me acolheu após longos meses no desemprego, partilho com vocês a minha carta de despedida que dirigi a este sector do Turismo:

Querida Hotelaria,
não sei bem como te dizer isto, mas como deves ter reparado as coisas entre nós já não andavam muito bem... no meio de todo o stress emocional que me foste causando, fui esquecendo os tempos em que fomos felizes e fui esquecendo o motivo que me levava a estar contigo, a trabalhar ao teu lado. Foste esgotando as minhas forças, a minha perseverança e sobretudo a minha sanidade mental. Desculpa, mas já não aguento mais... Tenho que te confessar que no tempo que estive de férias, no tempo que estivemos separadas, conheci outros locais de emprego, onde tudo me pareceu tão positivo e motivador. Experimentei um mundo onde não existem turnos da noite, onde não tenho que estar sozinha e a enlouquecer diariamente. Descobri que não tenho que passar o resto dos meus dias a fazer tostas, a aturar malucos que chamam a GNR por eu não expulsar os bêbados do Bar, a servir com a maior das cortesias as pessoas que vão lá para me humilhar... Encontrei um mundo novo, querida Hotelaria, e lamento imenso, mas tenho que continuar os meus sonhos sem ti. E desculpa que te diga, mas o problema aqui não sou eu... és mesmo tu! Sei que há pessoas que gostam de ti e que te acompanharão para sempre, mas eu não sou uma delas. Aprende a manter essas pessoas e vê se melhoras o teu mau feitio, para não afastares outras tantas de ti.
A minha decisão está tomada e quero divorciar-me de ti. Não há mais nada que possas fazer... não neste momento. 
Talvez nos voltemos a encontrar, não como tua escrava, mas como tua cliente.
Não me peças mais para voltar. Não me procures, porque eu vou fazer o mesmo. E cada vez que vir um anúncio para Recepcionista de Hotel não me vou dar nem ao trabalho de abrir... vou pensar é na pessoa que se vai desgraçar ao relacionar-se contigo.
Despeço-me aqui, Hotelaria, e espero mesmo não ter que te voltar a ver.

Até um dia,
A eterna Recepcionista.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Just show me the way... out.

Tenho andado a mastigar palavras para escrever aqui. Estou a passar por uma crise de identidade profissional e ando tentada a vir para aqui desabafar sobre o quão horríveis têm sido os meus dias de trabalho. Tenho evitado vir para aqui gritar que ODEIO SER RECEPCIONISTA e QUERO-ME IR EMBORA DESTE HOTEL.
Hoje vim aqui porque me apetece desabafar... Estou realmente farta disto. Estou pelos cabelos... E estou farta também daqueles senhores que se pensam entendidos, que olham para mim e pensam que eu sou uma burrinha qualquer e me andam sempre a dizer como devo fazer o meu trabalho. Houve uma vez que esse mesmo senhor estava tão bêbado que implicou com a forma como eu usava o meu lenço.
"quero um Whiskey.. mas naqueles copos largos, sabe?" "Não, não sei, pode o senhor ir ao bar e servir-se a si próprio, já que aparentemente eu não tenho competência para o servir?". E além do mais eu sou recepcionista, não Barmaid.
Estou farta que me tratem como uma incompetente, que me façam passar por burrinha e estou farta das injustiças que diariamente vejo e com as quais lido. Estou farta de tudo e maldita a hora que decidi ir para a hotelaria.

Vai na volta, estou só a precisar de férias...

Até breve.



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 14 de julho de 2013

Prova do mal que nos desejam...

 Nem a propósito... hoje depois da minha sesta de preparação para o turno da noite (que, by the way, está a decorrer... mas não digam a ninguém) liguei a TV e estava a dar um programa sobre escândalos de celebridades. Então, no seguimento do meu post de ontem, pareceu-me interessante vir fazer queixinhas do Russell Crowe. Fiquei chocada com o que descobri! Secalhar sou a única pessoa neste mundo que não ainda não sabia disto!
Então, em jeito de indignação e protesto e talvez também para mostrar às pessoas o que é ser Recepcionista e elucidar os aspirantes a recepcionistas ao que estão sujeitos, deixo aqui este testemunho bastante ilustrativo... o Russell Crowe hospedou-se uma vez num Hotel e como o telefone do seu singelo quartinho não estava a funcionar, arranca-o da parede... "e vai daí", desce à recepção e atira-o à cara do recepcionista.
Já perceberam que nós, recepcionistas, somos tudo e temos culpa de tudo. Só não sabia ainda que as pessoas não tinha noção que também somos de carne e osso e que afinal também servimos de alvo de arremesso de objectos. Onde é que isto vai parar!
Felizmente nunca me aconteceu uma destas... mas por precaução, vou já amanhã meter um requerimento à Direcção para que as novas fardas incluam protecções, como aquelas que os jogadores de futebol americano utilizam.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ser Recepcionista: o Lado Lunar

 Têm-me chegado mensagens a questionar quais as maiores dificuldades de uma Recepcionista. Tenho evitado este post porque é chato... ninguém quer ouvir uma Recepcionista a reclamar do seu trabalho de subserviente e das suas tentativas falhadas de omnipresença no Bar, na Recepção e no Serviço de quartos.
Mas, como para mim, tudo é tema de conversa vou aqui deixar uma listinha interessante aos aspirantes a Recepcionistas. Estas são, no meu ponto de vista, as dificuldades maiores que eu vou encontrando no meu dia-a-dia:

- Ler pensamentos de hóspedes (há pessoas que insistem a chegar ao balcão e a olharem para nós, sem abrirem a boca, como se nós tivéssemos que saber quem é aquela personagem pasmada ali à nossa frente);
- Estar em vários sítios ao mesmo tempo (ainda não consegui desenvolver esta característica, que hoje em dia parece-se mais com um requisito da profissão);
- Lidar com assédios (é a verdade nua e crua. Isto acontece com alguma frequência e há que ter braço de ferro ou respostas para tudo na ponta da língua, para que não abusem. Pessoas sem cérebro consideram que as recepcionistas são algum alento de vista e interpretam mal a simpatia que lhes é dirigida; insistem em querer números de telefone, conversas parvas e consolo de solidões. Excelentíssimos Senhores, o máximo que podemos fazer é recomendar-vos um Bordel. Mais respeito se faz favor!).
- Lidar com má educação (há pessoas que nos vêm como bichos e que passam aqui sem abrir a boca. Eu costumo dizer que não se deve tratar mal quem nos serve. Especialmente no que toca a comidas e alojamento...).
- Esquecer Fins de Semana, Festividades, Aniversários, Datas Especiais, Momentos em Família (a hotelaria torna-nos pessoas frias, muitos frias e anti-sociais. Tão anti-sociais que eu nas folgas dispenso a companhia de estranhos e tento não pensar no que perdi, especialmente porque o meu horário se resume a um turno apenas - leia-se aquele que ninguém quer exactamente porque não permite vida social nenhuma - das 16h às 00h)
- Conciliar horários com a "minha metade" (não posso esconder esta realidade que me atormenta todos os dias. É exactamente por causa do meu maravilhoso horário que, mesmo tão perto, estou sempre longe e só posso fazer matar saudades nas folgas. Há quem considere isto secundário, mas eu não, a felicidade está nas pessoas que me rodeiam. O trabalho é acessório).
- "Guerrinhas" (não posso dizer que isto acontece aqui. Mas sei de locais em que existe muita competição entre colegas de recepção. Fazem tudo e descem muito baixo para prejudicar o outro. Sou uma pessoa de paz e não sei onde é que essas pessoas pretendem chegar assim. Todos no mundo temos um lugar e ninguém tira o lugar de ninguém. Pelo menos acredito nisso. E é por isso também, que um dia quando deixar de trabalhar neste Hotel, não vou para mais nenhum).
- Aturar "putos" (refiro-me aqueles de 18, 19 e 20 anos que vêm para aqui armados em adultos. Normalmente as raparigas têm o rei na barriga e olham para mim com desprezo ou com medo que eu lhes roube o namorado. Oh menina, vá mazé para casa. Eu na sua idade não tinha nem autorização para sair à noite. Está ai armada aos cucos só porque vem para um hotel... Grande coisa. Eu venho para cá todos os dias e não digo isso muito alto a ninguém. E pelo menos trago a boa educação comigo.

Assim de repente, é isto que me ocorre. O curioso é que todos os dias surje uma dificuldade nova com a qual tenho de lidar. E nem sempre sei como se lida com isso. Ninguém acredita como é stressante ser Recepcionista de Hotel e a prova disso é que aqui há tempos tive que ir ao médico devido a problemas de ansiedade e ele quase se riu na minha cara quando eu lhe disse que era Recepcionista de Hotel.

Estou tão vacinada contra coisas parvas, que a minha reacção é sempre sorrir, para o bem e para o mal.
Se isto fosse a melhor profissão do mundo eu não andava "à rasquinha" para mudar.

P.S.: Sonhadores e aspirantes a recepcionistas, fujam enquanto é tempo!!! :)





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal (ou o que se aproveita dele) :)

 Escrevo hoje em solidariedade a todos os que têm de trabalhar durante a Noite da Consoada e o Dia de Natal. Passamos horas às moscas à espera que apareça uma alminha... com quem possamos conversar numa noite em que é suposto estarmos com a família... Ansiamos pela pessoinha que entre pela porta para podermos dizer um entusisamante "Feliz Natal" que está há horas entalado na garganta, pois não temos ninguém a quem o transmitir. Então passamos as horas de serviço a imaginar como a nossa Família se está a divertir num mundo perfeito onde as pessoas não trabalham nas festividades. O cheirinho a canela, a azáfama da preparação do jantar, a mesa deslumbrante... a Família. É so isso que nos vem à memória, enquanto estamos sentados numa Recepção vazia... Mas quem passa, muitas vezes não se lembra, que também é Natal para nós.


Feliz Natal a todos os Recepcionistas Hoteleiros, Hospedeir@s de Bordo e terra, Tripulantes e similares, funcionários de aeroportos, Polícias, Militares, Bombeiros, Médicos, Enfermeiros, Auxiliares, Seguranças e tantos outros.... A todos os que não conhecem dias de lazer desejo um Feliz Natal. Com tanta gente a trabalhar no Natal, é bom pensar que não estamos sozinhos :)



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Também temos sentimentos

Ontem foi daqueles dias em que cheguei a casa e só me apeteceu não voltar mais ao hotel. Foi daqueles dias em que os hóspedes nos fazem sentir um autêntico lixo, fazem pouco do nosso trabalho e implicam com  a maneira como fazemos o nosso serviço. O problema é a mentalidade rude destas pessoas, que entram na porta da recepção e em vez de nos retribuirem o boa tarde, viram as trombas e finjem que não está ninguém. As Recepcionistas são vistas como escravas, inventadas apenas para servir, sem abrir a boca e quanto mais humilhadas forem melhor. Felizmente, existem pessoas de bom senso que nos tratam com respeito e não com arrogância. Queria deixar um recado àquelas bestas de ontem: tenho pena ter que vos aturar quase todos os dias, a vocês, que pensam que sabem estar num Bar de Hotel. São umas bestas e não há palavra melhor que vos descreva. São uns picuinhas, porque todas as vezes que sentam o rabinho  naquelas cadeiras, o que exigiram ontem, hoje já está mal. E sabem uma coisa, tenho muita pena de não vos poder dizer isto na cara... por cobardia, talvez, mas sobretudo porque apesar da humilhação que me fazem passar, preciso de trabalhar. Não tirei um curso superior para aturar animais como vocês e felizmente que existem outros hóspedes que fazem o meu trabalho valer a pena.
Vocês são a cópia perfeita dos "armados em ricos e empresários" em Portugal, que pensam que por beber um Johnnie Walker Greeen Label vos dá um ar poderoso. Só para que saibam, aprendi com os verdadeiros apreciadores de whiskey, que não se bebe com um copo repleto de gelo. E se hoje pedem um copo "com bastante gelo", amanhã estão-me a criticar entre vocês, feita beatas, que o copo tem muito gelo. Desprezo-vos e se eu mandasse nunca mais entravam naquele hotel. Vocês são umas bestas.
Aplaudia que um dia fossem tão humilhados no vosso "trabalho", como ontem me humilharam (se bem que o vosso trabalho é passar as tardes a beber no Bar do Hotel e a falar mal dos vossos colegas).
Tenho pena de viver num país assim, de arrogância e estupidez pura. Tenho pena que as pessoas não se saibam respeitar. Eu faço o meu trabalho da melhor maneira, não tenho sequer formação em Bar... Queridos hóspedes, nós esforçamo-nos ao máximo para vos servir bem. E não se esqueçam nunca que somos pessoas iguais a vocês. Caímos o erro de abraçar uma profissão que faz de nós vossos empregados. Há quem nos respeite, mas para aqueles que se armam em parvos, lembrem-se que muitas vezes, por palavras duras que nos atiram, saímos porta fora a chorar, por nos terem feito sentir as pessoas mais inúteis e incompetentes do mndo.
E quanto a vocês, senhores de ontem, enganos acontecem... e há uma secreção corporal, muito semelhante à cor do whiskey.



fonte da imgem: favim.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Recepcionista vs. Arrumadora de Carros

 True story de hoje:

A minha hater de estimação a reclamar porque o parque do hotel está cheio e deixou o carro dela de propósito a estorvar aos outros.
Ponto 1 - não tenho culpa por o hotel estar cheio (ainda bem, é bom presságio)
Ponto 2 - não sei estar em dois lados ao mesmo tempo (torno a repetir) e muito menos estar lá fora de plantão a ensinar as pessoas a estacionar.
É uma questão de boa educação e civismo, naturalmente. Como é boa educação chegar aqui e não descarregar a frustração para cima da recepcionista. Mas que culpa é que tenho eu do parque estar cheio?! O hotel estava cheio e foi a única que veio reclamar comigo... Os outros, aparentemente, "desenrascaram-se", à boa maneira portuguesa.
Tenho que ponderar fazer chegar a ideia à Administração, de uma especialização para Recepcionistas na vertente de Arrumadores de Carros... só para as horas vagas... parece-me que a polivalência ainda não chegou aos parques de estacionamento dos hotéis.


fonte da imagem: a-minha-alegre-casinha.blogspot.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ser Recepcionista...



Hoje é daqueles dias em que tudo acontece… Uma pessoa não pode vir de folga descansadinha, que tem que começar logo com o turbo. Se eu mandasse, colocava aqueles empresários dos colchões e dos artigos para o lar dentro de um saco a socializar. Porque é que têm de vir para os hotéis aborrecer as pessoas que cá trabalham e pior ainda, fazer de nós as suas recepcionistas. Mas o que me parte o coração são as pessoas de idade que vem ao engano, que alugam táxis em busca de prémios prometidos. Eu confesso que sou a primeira pessoa a mandar os “felizes contemplados” para casa, assim que eles me perguntam se vale a pena ir ter com os Srs. Empresários. Só falo se me perguntam ou se fazem aquela cara de quererem saber mais. Tenho pena das pessoas. Só costumo dizer que “ninguém dá nada a ninguém” (e exemplo disso é a história dos amendoins…) Espero que sirva de exemplo.

Apesar de eu ter vindo nestes últimos posts a reclamar muito, assumo com orgulho que sou a recepcionista simpática que recebe os hóspedes com um sorriso, lhes abre a porta e se for preciso ajudo com as malas. Mimo bastante os hóspedes que merecem (aqueles que são parvos e abrutalhados levam com o pior serviço). Eu sou a recepcionista que acende a lareira porque os hóspedes gostam de ver, ofereço um copito ou outro de uma bebida que nunca provaram, ligo o ar condicionado nos quartos para que estejam quentinhos e aos hóspedes que merecem, tiro um bom bocado para promover os locais turísticos, dizer onde se come melhor, o que visitar nas redondezas, como chegar e ainda ofereço mapas. Claro que os que se armam em importantes logo à chegada, só levam com o meu sorriso forçado. Como aquela hóspede habitual que me ficou atravessada, desde que reclamou comigo por lhe dar troco em moedas pequeninas… eu estava a ter uma crise de tosse em plena reclamação e não vi uma pinga de consideração. Desde esse dia, deixei de a tratar pelo nome e de me armar em simpática. Na verdade, até tenho pena… enfim… se me tratasse bem, continuava a oferecer-lhe o iogurte ou o kiwi depois de jantar.
Aprendi uma vez numa aula de inglês que “behavior breeds behavior” e a minha conduta passa exactamente por isso. Muitas vezes, naqueles dias maus em que só quero ir para casa, penso que do outro lado do balcão poderia estar eu, ou alguém da minha família. É na altura em que os hóspedes são melhor servidos por mim e sinto-me realmente gratificada… gostava que noutros locais tivessem a mesma ideologia. No entanto, não abusar da confiança ou da simpatia da recepcionista. Por incrível que possa parecer, somos muitas vezes alvo de tentativas de humilhação e atrevimento… mas isso, são outras histórias.

 
fonte da imagem: roblox.com




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cada cabeça, sua sentença

 Hoje foi daqueles dias em que apareceram os 3 tipos padrão de clientes:
- Os teimosos
- Os "mudos"
- Os pedinchas

Acontece muitas vezes um cliente só, ser isto tudo, mas hoje tive o azar de serem três pessoas diferentes.
- O Cliente teimoso defeine-se por aquele que mesmo nós explicando as coisas, pensa que tem sempre razão. Já me apareceram alguns casos assim, como o senhor velhote que teimava que a porta para a piscina estava fechada e tinha sido eu a abri-la. Esse mesmo velhote teimou que lhe indiquei o caminho errado e foi parar ao 2º piso... Então meteu-se no elevador a tocar à campainha de emergência. Eu, completamente aflita, a pensar que ele estava barricado, disse para manter a calma, que eu já ia resolver a situação. Enquanto fui à recepção, aparece-me ele, a reclamar que ninguém estava no corredor (!) para lhe indicar o caminho. A aventura desse dia, acabou como sr. da Manutenção dos elevadores a reclamar comigo...
O Cliente teimoso de hoje, teimava que o preço já lhe tinha sido creditado da conta. Nós, à semelhança de milhares de hotéis espalhados pelo mundo, estamos também associados a uma central online de reservas muito famosa. Quando recebemos a reserva das pessoas por fax, apenas procedemos à autorização de crédito, para averiguar a validade do cartão... nenhum valor é retirado da conta, mas as pessoas insistem que sim. Houve uma vez um senhor que ameaçou que vinha ter comigo, se lhe tivesse cobrado duas vezes o valor... Nunca mais o vi.

- O Cliente "mudo" (com todo o respeito para com as pessoas portadoras desta deficiência) é o cliente que julga que eu leio pensamentos e adivinho coisas. Aparecem muitos assim. Chegam à Recepção e não dizem nada... nada mesmo! Nem um bom dia ou boa tarde. Eu saúdo-o mas o cliente fica simplesmente pasmado a olhar para mim, como se eu tivesse que saber quem ele é e se tem ou não reserva para o dia. Por favor, digam alguma coisa... é que dificulta bastante tentar arrancar-lhe palavras da boca. Os clientes "mudos" que já são habituais no Hotel, são os que mais me irritam. Está bem que eu já os conheço e sei se têm ou não reserva, mas acho que a boa educação fica bem em todo o lado! Também gostava de chegar à recepção e eu não dissesse nada? Simplesmente fosse buscar a chave de trombas sem abrir a boca? Hein? Gostava? I don't think so... E ainda era capaz de dizer que foi mal atendido. Escute uma coisa, eu também gosto de ser bem recebida no meu local de trabalho.

- O pedincha é aquele que reclama dos preços e de tudo que tem que pagar. Oh amigo, se vem para um Hotel já sabe que é para pagar. Não conheço nenhum Hotel que não cobre pela estada... Pedincham e pedincham, como se isto fosse a feira e pudessem regatear o preço. Não dá... eu baixo-lhe 1 euro que seja e sou despedida. Somos flexíveis quando se justifica, como acredito que são todos os hóteis... mas por causa de uma noite e de um quarto single, pode tirar o cavalinho da chuva. Eu já estou habitauda a ouvir-vos reclamar... mas é como irem ao hospital e pagarem 20 euros pela taxa moderadora. A senhora que está atrás do balcão não tem culpa... Vá reclamar como o Governo, é o que a dita senhora lhe diria.
"A culpa disto é vocês não terem concorrência", tem razão querido hóspede, mas porque não abre o senhor um Hotel nas redondezas e pernoita lá? Assim já não tinha que pagar quarto.

O problemas dos hóspedes é que pensam que por pagar têm à sua disposição um serviço tipo escravatura. Tomem nota: o respeito é muito bonito... Eu também não vou ao vosso local de trabalho armada em parva e insultar-vos ou rebaixar-vos no vosso próprio local de trabalho. Acreditem ou não, trabalhar num Hotel é um emprego! Estamos aqui para servi-lo sim, mas somos humanos e gostamos que nos tratem como tal. Tal como nós o tratamos a si.

fonte da imagem: otrapovirouseda.blogspot.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
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