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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A Revolução Francesa

Bem vindo à actualização de informação sobre a Revolução Francesa.
Vai chegar ao fim deste post com a sensação que afinal enquanto estudava história, tinha razão em não querer saber nada daquilo. É tudo mentira meus senhores.
A Revolução Francesa não se iniciou em 14 de Julho de 1789 com a queda da Bastilha. A culpa não foi dos revolucionários que quiseram tirar Luis XVI do poder e nem sequer existiram os Girondinos e os Jacobinos a travarem guerras de ideiais entre si.
A Revolução Francesa começou exactamente no dia 28 de Agosto de 2013, com a chegada dos primeiros hóspedes ao Hotel que tomaram a Recepção de assalto, atemorizando a única recepcionista que lá existia naquela hora... A Recepcionista atormentada, digitava o mais depressa que podia os nomes e números de bilhetes de identidade no sistema informático.
Arrancaram-na à força da recepção para a torturarem no Bar, de onde nunca mais saiu. Os franceses, mais unidos que nunca, pediam cerveja aos litros, vinho tinto "frrresquinho porr favorr" e vinho do porto infinito. Sem dó nem piedade, consumiam, consumiam, consumiam.... e nunca paravam de chegar tropas francesas que não largavam o bar, nem a campainha da recepção.
O verdadeiro Golpe do Brumário deu-se há poucos dias e felizmente não tiveram que passar 10 anos, nem tivemos que chamar o Napoleão para pôr mão nestas tropas revolucionárias da hotelaria. Mas o certo é que se viveu uma verdadeira fase de terror

The End


(a quem ainda está a estudar História, poderá comparar esta minha história com a realidade apenas com propósitos científicos. Não se confundam e contem a minha versão da Revolução Francesa, para bem das vossas notas :) )



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 25 de agosto de 2013

Best of Summer 2013

 Tenho tido tanta inspiração para escrever e tão pouco tempo... O verão é repleto de histórias e aventuras, (para hóspedes e recepcionistas). É repleto de calor e trabalho extra (para recepcionistas), de exigências e pedidos (para os hóspedes). É o tempo em que recepcionistas, como eu, apanham um esgotamento porque têm de assegurar um turno sozinhos e mais: têm de enfrentar serviços organizados quase todas as semanas, com falta de pessoal em todos os sectores! Este verão especializei-me em:
- lacinhos para guardanapos;
- desengordurar louça
- bater records de lavar louça enquanto atendo o telefone, faço umas tostas, aqueço sopas e faço check-ins;
- ficar maluca.
O verão (leia-se época alta) ainda parece longe de terminar (no fim de setembro, mais especificamente) e a única coisa que me deixa contente é poder ter histórias para contar.

Fica aqui um best of do meu verão como recepcionista:
- Estar 2 horas sem aparecer ninguém na recepção e quando me levanto para ir jantar, chegar tudo ao mesmo tempo, tocar o telefone e ter serviço de bar.
- Fazer caipirinhas à pressão para um casamento com mais de 200 convidados.
- Servir de psicóloga a cada meia hora.
- O barril da cerveja acabar sempre comigo (o aspecto positivo é que pelo menos a cerveja hidrata o cabelo)
- Fazer milhentos lacinhos para guardanapos em menos de um turno repleto de movimento.
- Ter uma crise de soluços quando chegam precisamente hóspedes a pedirem as mais complexas informações (onde posso comer? e a internet? queria fazer uma pré-reserva de quartos infinitos... o preço é mesmo esse que me está a dar? Não há descontos?)
- Estar no bar ocupada com as tostas e o telefone tocar.... Vou atender e é um das dezenas de bebés que se instalaram aqui há tempos no hotel. Julguei que era a convenção nacional dos bebés. Pior do que atender uma chamada, é o telefone estar sempre a tocar porque o bebé-achou-engraçado-ter-alguém-do-outro-lado-da-linha-e-a-mãezinha-dele-também-achou-engraçado-porque-pelo-menos-o-bebé-está-entretido-e-não-tem-que-o-aturar.
- E a propósito da convenção nacional dos bebés.... Um dia quando for mãe vou ter pena da pobre da recepcionista e não vou pedir que aqueça sopas, leites, águas, biberões, papinhas e etc, etc...!!!!  Socorro! Foi só o que eu pensei nesse dia. Foram dezenas de bebés nesse dia!
- Pedir ao piloto russo que se dirigiu ao bar que aguarde enquanto eu recebo o taxista que foi solicitado para um hóspede. O taxista e o hóspede seguem caminho e eu volto para a recepção tranquilamente, quando olho para o bar e vejo o russo à minha espera. Levei literalmente as mãos à cabeça e o russo desmanchou-se a rir. Pedi-lhe imensas desculpas, mas como eu estava a rir-me descontroladamente, acho que não fui muito convincente. Acabámos por nos rir os dois... vá lá (é que vou dispensar as reclamações das melhores histórias deste verão).
- Aturar uma rapariga o turno inteiro, que falava muito depressa, muito alto e sobre vários assuntos ao mesmo tempo!! Pior... ela ficou 3 semanas e andava sempre atrás de mim! A minha cabeça ficava saturada ao fim do dia. Ela esgotava o meu nível de "sociabilidade pós-turno" num instante!
- Não vou nem falar da quantidade de garotos, adultos e outras espécies que estão sempre a tocar à tal campainha engraçada enquanto eu estou a fazer o check-in.

... I'll be back!





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 14 de julho de 2013

Prova do mal que nos desejam...

 Nem a propósito... hoje depois da minha sesta de preparação para o turno da noite (que, by the way, está a decorrer... mas não digam a ninguém) liguei a TV e estava a dar um programa sobre escândalos de celebridades. Então, no seguimento do meu post de ontem, pareceu-me interessante vir fazer queixinhas do Russell Crowe. Fiquei chocada com o que descobri! Secalhar sou a única pessoa neste mundo que não ainda não sabia disto!
Então, em jeito de indignação e protesto e talvez também para mostrar às pessoas o que é ser Recepcionista e elucidar os aspirantes a recepcionistas ao que estão sujeitos, deixo aqui este testemunho bastante ilustrativo... o Russell Crowe hospedou-se uma vez num Hotel e como o telefone do seu singelo quartinho não estava a funcionar, arranca-o da parede... "e vai daí", desce à recepção e atira-o à cara do recepcionista.
Já perceberam que nós, recepcionistas, somos tudo e temos culpa de tudo. Só não sabia ainda que as pessoas não tinha noção que também somos de carne e osso e que afinal também servimos de alvo de arremesso de objectos. Onde é que isto vai parar!
Felizmente nunca me aconteceu uma destas... mas por precaução, vou já amanhã meter um requerimento à Direcção para que as novas fardas incluam protecções, como aquelas que os jogadores de futebol americano utilizam.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 23 de junho de 2013

#Awkward. (Parte I)

No mundo da hotelaria há de tudo um pouco... e há também espaço para aquelas cenas constrangedoras, que muitas vezes me fazem corar até à raiz dos cabelos.
Há uma que me deixa corada só de lembrar, dado ser uma rapariga "conservadora" nessas coisas...
Então o que se passou foi o seguinte:
O telefone da recepção toca e eu prontamente atendo. Um simpático e jovem hóspede a queixar-se da sintonização da televisão. Prontamente me dispus a deslocar-me ao quarto (não tinha outro remédio, na verdade). Bato à porta e vem-me aquela alminha nua, da cintura para cima, e quase da cintura para baixo. Não sei porquê, mas não tirei mais da cabeça aqueles boxers azuis às risquinhas e enquanto entrava no quarto, juro que nunca mais consegui encarar a cara do rapaz. A minha maior tortura foi ter que estar a sintonizar os canais e eles não apareciam. Até que o jovem acabou com o meu sofrimento e disse que ele próprio podia sintonizar. Deixei o quarto num ápice e rezei aos santinhos todos para não voltar a este quarto tão depressa. Não há nada mais estranho do que estar a falar com um completo desconhecido, que está quase nu!! Estava claramente escrito na minha cara o pouco à vontade com que eu estava. É que é daquelas coisas que não dá para disfarçar. E o jovem, super descontraído, com um arzinho maroto na cara...
Voltei para a recepção completamente desorientada e a rir-me da situação. O telefone toca de novo, mas felizmente estava o meu recepcionista preferido da noite já presente e a quem eu incumbi a árdua tarefa de voltar ao quarto do rapaz.
Reza a lenda do meu colega, que quando ele bateu na porta o tal jovem o mandou entrar. É que ao que parece o descontraído hóspede, estava deitado na cama meio tapado pelo lençol. Não se bem à espera do quê ou de quem. Disse-me também o meu colega, que desta vez quem ficou atrapalhado foi o hóspede.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Contos de Fadas!

Era uma vez 3 jovens armados em "gingões" e era uma vez uma recepcionista que não os podia ver nem pintados a ouro.
Eles eram convencidos e com a mania que tinham charme e ela fazia tudo para os evitar. Eles exigiam que as bebidas fossem servidas no salão de jogos e ela impunha o respeito e obrigava-os a levarem eles, as próprias bebidas (de acordo com as ordens superiores).
Uma noite estavam os 3 "gingões" no salão de jogos e a pobre da recepcionista, depois de um dia de cão, por entre reclamações, telefone, tostas e muito trabalho, ficou depois do horário do seu expediente para preparar uma sala para formação no dia seguinte. Andar para cima e para baixo na escadaria a carregar águas, copos e pratinhos era a gota de água do seu dia extenuante. Até que numa das viagens para a Sala se depara com falta de copos e garrafas de água. "Animais", pensou ela. "Foram eles!" A espumar pela boca, a recepcionista chega à sala de jogos para os confrontar "Nós?" - responderam eles - "Acha que temos cara de quem gosta de água?" "Não - pensa ela - têm cara de parvos". A recepcionista abandona o local com os nervos em franja, mais por terem feito dela parva. "Não esperam pela demora", diz a Recepcionista para os seus botões. "Vocês vêm cá pelo menos 1 vez por mês..."
Era uma vez 3 jovens "gingões" que na vez que voltaram ao Hotel levaram com uma conta extra de bar que incluia garrafas de água.... (e não reclamaram...)

Não se metam com os Recepcionistas.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Há coisas assim...

 Dois mexicanos amigos, cada um em seu quarto... O problema é serem muito parecidos... Nem consegui decorar sequer em que quarto é que estava cada um... Só pode dar barraca com certeza.
Chega-me o Mexicano 1 à Recepção e pede uma sandes de presunto e uma água com gás. Pergunta se eu posso levar o petisco ao quarto... "Sí, sin problema" respondo eu no meu melhor sotaque a roçar o mexicano e o espanhol.
Toca o telefone, chegam outras pessoas para o Bar, pessoas para fazer o check-in, enquanto eu tento arranjar a merenda do senhor. Apronto o tabuleiro todo bonitinho e encaminho-me para o quarto. Pelo caminho explico à minha estagiária como segurar bem num tabuleiro sem correr o risco de o deixar cair.
"Knock, Knock". O Mexicano abre-me a porta... E só percebi pela cara que ele fez que me tinha enganado no mexicano....
E eu a pensar que só os chineses e os japoneses é que tinham as caras iguais....







(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Coisas Engraçadas



Hoje é o dia dos momentos engraçados. Sempre no dia antes de eu ir de folga, acontece sempre alguma… ou me chateiam até me fazerem chorar, ou simplesmente fazem coisas que só me dão vontade de rir ou me deixam sem saber bem como reagir. Hoje houve um pouco de tudo.
A hora dos check-ins é sempre a mais promissora… Chegam os 3 senhores, mais ou menos habituais da casa, que se perderam no corredor. Mais, perderam-se uns dos outros e vieram pedir a minha ajuda. Quando encontrei o responsável, veio reclamar comigo porque a reserva que pediu à Empresa era na Ala onde eles se perderam… Não encontravam o quarto obviamente, mas mesmo assim insistiam em andar lá às voltas no corredor, como que por magia os quartos, que são de outra Ala aparecessem assim ali… teimosos os hóspedes hein? E a culpa ainda foi minha. Só me limitei a fazer a reserva conforme me chegou às mãos. Os recepcionistas são os Bodes Expiatórios para tudo… até para a televisão que não dava do senhor chique. O mesmo senhor que veio reclamar do ar condicionado… Gentilmente troquei-lhe o quarto. Quando desceu para a Recepção disse: olhe, enquanto estava a mudar as coisas, o ar condicionado já estava a funcionar… mas não quis voltar para lá.” Poiiiiss… quando eu digo que têm de esperar uns minutos para o termóstato do ar condicionado aquecer, é porque têm de esperar uns minutos! Estão num Hotel, mas as coisas não são todas automáticas e como desejam. Somos Recepcionistas, não Génios da Lâmpada. Este mesmo senhor, fez  pouco dos outros 3 quando chegou um deles à Recepção a pedir ajuda pelos desaparecidos… “Queria ver se fosse no Egipto… Lá são centenas de quartos ahahahahah” 
Oh senhor… ninguém queria saber que já esteve no Egipto…





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

How do you talk to an angel?

 Diálogo do dia:

Hóspede: Boa noite tenho uma reserva em nome de blá blá blá....
Recepcionista (Eu): Boa noite ....
(... procedimentos de check-in: pedido de identificação... o usual)
Recepcionista (Eu): A dormida é para facturar a empresa correcto?
Hóspede: Correcto...
Rececpcionista (Eu): Não tenho a certeza de já termos aqui os dados da Empresa...
Hóspede: Não tem porque ainda não lhos dei....


Eu, Recepcionista, não sei se às vezes hei-de mandar com a maquina multibanco na cabeça dos hóspedes ou se hei-de respirar fundo e pedir paciência (normalmente escolho a opção 2).

By the way, eu tentei fazer ver ao hóspede que só perguntei aquilo porque a Empresa já cá podia ter estado antes... escusava de ter que estar a perder tempo a dar-me os dados de novo... Mas um: "Penso que não" por parte do hóspede tinha feito o meu dia feliz.




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Love (Christmas) is in the air

 Neste tempo de Natal, todos os sentimentos bonitos andam no ar: paz, alegria e amor. Muito amor, especialmente. E como é que eu sei disto?
Falando especificamente do amor que anda no ar... mais que no dia de S. Valentim, o Natal tem inspirado muitos "casais" a visitarem o Hotel. Não é segredo nenhum, que não há quem se importe de pagar 60 euros só por umas 3 horitas no máximo.
Esta semana foi um record brutal, com uma média de 2 casais por dia.
No meio disto, existem as histórias engraçadas, como a senhora que ligou pouco tempo depois a perguntar se estava a sua aliança no quarto... e o senhor que entregou a chave e disse que iam jantar, mas que deixou a porta do quarto escancarada e a sua companheira passou a correr pela recepção.
Só gostava de deixar uma coisa clara, eu sou daquelas pessoas que não se mete na vida dos outros. Nem quero saber quem é que vem faze companhia a quem. Srs. hóspedes, fiquem descansados que o que se passa dentro do Hotel, é sigilo profissonal. Limitamo-nos a comentar entre nós e a fazer um concurso de "hóspedes que deixam o quarto mais desarrumado" :)




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Recepcionista vs. Arrumadora de Carros

 True story de hoje:

A minha hater de estimação a reclamar porque o parque do hotel está cheio e deixou o carro dela de propósito a estorvar aos outros.
Ponto 1 - não tenho culpa por o hotel estar cheio (ainda bem, é bom presságio)
Ponto 2 - não sei estar em dois lados ao mesmo tempo (torno a repetir) e muito menos estar lá fora de plantão a ensinar as pessoas a estacionar.
É uma questão de boa educação e civismo, naturalmente. Como é boa educação chegar aqui e não descarregar a frustração para cima da recepcionista. Mas que culpa é que tenho eu do parque estar cheio?! O hotel estava cheio e foi a única que veio reclamar comigo... Os outros, aparentemente, "desenrascaram-se", à boa maneira portuguesa.
Tenho que ponderar fazer chegar a ideia à Administração, de uma especialização para Recepcionistas na vertente de Arrumadores de Carros... só para as horas vagas... parece-me que a polivalência ainda não chegou aos parques de estacionamento dos hotéis.


fonte da imagem: a-minha-alegre-casinha.blogspot.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cada cabeça, sua sentença

 Hoje foi daqueles dias em que apareceram os 3 tipos padrão de clientes:
- Os teimosos
- Os "mudos"
- Os pedinchas

Acontece muitas vezes um cliente só, ser isto tudo, mas hoje tive o azar de serem três pessoas diferentes.
- O Cliente teimoso defeine-se por aquele que mesmo nós explicando as coisas, pensa que tem sempre razão. Já me apareceram alguns casos assim, como o senhor velhote que teimava que a porta para a piscina estava fechada e tinha sido eu a abri-la. Esse mesmo velhote teimou que lhe indiquei o caminho errado e foi parar ao 2º piso... Então meteu-se no elevador a tocar à campainha de emergência. Eu, completamente aflita, a pensar que ele estava barricado, disse para manter a calma, que eu já ia resolver a situação. Enquanto fui à recepção, aparece-me ele, a reclamar que ninguém estava no corredor (!) para lhe indicar o caminho. A aventura desse dia, acabou como sr. da Manutenção dos elevadores a reclamar comigo...
O Cliente teimoso de hoje, teimava que o preço já lhe tinha sido creditado da conta. Nós, à semelhança de milhares de hotéis espalhados pelo mundo, estamos também associados a uma central online de reservas muito famosa. Quando recebemos a reserva das pessoas por fax, apenas procedemos à autorização de crédito, para averiguar a validade do cartão... nenhum valor é retirado da conta, mas as pessoas insistem que sim. Houve uma vez um senhor que ameaçou que vinha ter comigo, se lhe tivesse cobrado duas vezes o valor... Nunca mais o vi.

- O Cliente "mudo" (com todo o respeito para com as pessoas portadoras desta deficiência) é o cliente que julga que eu leio pensamentos e adivinho coisas. Aparecem muitos assim. Chegam à Recepção e não dizem nada... nada mesmo! Nem um bom dia ou boa tarde. Eu saúdo-o mas o cliente fica simplesmente pasmado a olhar para mim, como se eu tivesse que saber quem ele é e se tem ou não reserva para o dia. Por favor, digam alguma coisa... é que dificulta bastante tentar arrancar-lhe palavras da boca. Os clientes "mudos" que já são habituais no Hotel, são os que mais me irritam. Está bem que eu já os conheço e sei se têm ou não reserva, mas acho que a boa educação fica bem em todo o lado! Também gostava de chegar à recepção e eu não dissesse nada? Simplesmente fosse buscar a chave de trombas sem abrir a boca? Hein? Gostava? I don't think so... E ainda era capaz de dizer que foi mal atendido. Escute uma coisa, eu também gosto de ser bem recebida no meu local de trabalho.

- O pedincha é aquele que reclama dos preços e de tudo que tem que pagar. Oh amigo, se vem para um Hotel já sabe que é para pagar. Não conheço nenhum Hotel que não cobre pela estada... Pedincham e pedincham, como se isto fosse a feira e pudessem regatear o preço. Não dá... eu baixo-lhe 1 euro que seja e sou despedida. Somos flexíveis quando se justifica, como acredito que são todos os hóteis... mas por causa de uma noite e de um quarto single, pode tirar o cavalinho da chuva. Eu já estou habitauda a ouvir-vos reclamar... mas é como irem ao hospital e pagarem 20 euros pela taxa moderadora. A senhora que está atrás do balcão não tem culpa... Vá reclamar como o Governo, é o que a dita senhora lhe diria.
"A culpa disto é vocês não terem concorrência", tem razão querido hóspede, mas porque não abre o senhor um Hotel nas redondezas e pernoita lá? Assim já não tinha que pagar quarto.

O problemas dos hóspedes é que pensam que por pagar têm à sua disposição um serviço tipo escravatura. Tomem nota: o respeito é muito bonito... Eu também não vou ao vosso local de trabalho armada em parva e insultar-vos ou rebaixar-vos no vosso próprio local de trabalho. Acreditem ou não, trabalhar num Hotel é um emprego! Estamos aqui para servi-lo sim, mas somos humanos e gostamos que nos tratem como tal. Tal como nós o tratamos a si.

fonte da imagem: otrapovirouseda.blogspot.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aventuras de um Carrinho de Bagagens

Um dos objectos fetiche num Hotel é o Carrinho das Malas; a par com a campainha da Recepção, o Carrinho alimenta igualmente uma curiosidade inexplicável aos hóspedes.
Todos o consideram engraçado mal dão de caras com ele na Recepção. Enquanto faço o check-in, a atenção das pessoas está centrada no Carrinho cromado brilhante, com um tapete de veludo vermelho. O culminar máximo desta fantasia dá-se quando vem um hóspede carregado de malas, que acha super divertido a sua bagagem ter que ir naquele carrinho. As minhas costas, por sua vez, não acham piada nenhuma. É uma verdadeira aventura conduzir este monovolume. O elevador é longe e o caminho compreende subidas e curvas apertadas, além de que as rodinhas deste carro não ajudam muito à sua condução. O grande pesadelo é quando o Carrinho vai cheio... Nem sempre sou eu a levar o veículo. quando estou bastante ocupada na Recepção; os hóspedes não têm outra alternativa senão conduzi-lo eles e acham imensa piada. Como me preocupo com o bem-estar dos meus hóspedes, muitas vezes digo para deixarem o Carrinho no corredor que depois vou lá buscá-lo para o estacionar na Recepção. O interesse pelo Carrinho é tal, que muitos deles fazem questão de o trazer de volta. Outros ficam simplesmente chocados por eu não o poder levar aos quartos.
Quem também acha muita graça ao Carrinho das Bagagens são as crianças. Penduram-se no cabide ou sentam-se no tapete e pedem que sejam empurradas numa viagem pelo hotel, numa espécie de comboio turístico. Os pais fazem-se de difíceis à minha frente, proibindo-os de subir quando eu estou a olhar… Tenho a certeza que mal eles viram a esquina da recepção, os garotos saltam para o carrinho, empurrados pelos pais. Não os censuro… eu própria já experimentei andar de Carrinho... Mas não digam a ninguém.



Fonte da Imgem: portuguese.alibaba.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Knock, Knock... Room Service

 O Room Service é o paraíso dos Hóspedes molengões e o maior pesadelo dos Recepcionistas solo.
Quando o telefone toca na recepção e constato que vem de um quarto que já entrou há mais de 1h, sei, logo à partida que vem algum pedido especial a caminho. Quando ouço a melódica pergunta do "Tem Serviço de Quartos?", fico orgulhosa por o meu super poder de adivinha estar cada vez mais desenvolvido (é um requisito pretendido para se ser recepcionista, porque há hóspedes que não nos dirigem uma palavra e nós temos que adivinhar o que eles precisam... mas sobre isso, falarei num outro tópico...).
Como é um Hotel com regime de Alojamento e Pequeno-Almoço, não há obviamente serviços de jantar (ou almoço); o que temos é uma família de sopinha caseira, tostas mistas, torradas e sandes. E a escolha do hóspede resume-se a isto.
As mais populares são a sopa e a tosta mista e sempre que encabeço a aventura de as preparar tenho que estar na Recepção a atender o telefone ou a fazer algum check-in, no Bar a servir alguém e na Copa para não deixar queimar a tosta... Normalmente é tudo ao mesmo tempo. Quando tudo está perfeitamente distribuido no tabuleiro, parto à aventura de chegar ao quarto, que habitualmente é sempre o mais longe possível e no 1º andar.
Tenho boas memórias sobre eu, a servir o "Room Service"... :
- Os americanos são as pessoas mais simpáticas... Dão sempre gorjeta. Não importa o que se leve ao quarto.
- Numa vez, os hóspedes que entraram eram um casalinho jovem, com a mania que fica muito em hotéis. Logo no check-in e na atribuição do quarto fizeram alguns escândalos, que só contribuiram para ficar com eles "entalados". Depois de instalados e já passadas umas longas horas, ligam para a recepção para lhes entregar uma simples garrafa de água. Eu acedo muito simpaticamente ao pedido e entrego a garrafa no quarto que se situava mesmo, mesmo ao lado da recepção. Quando as pessoas são simpáticas comigo, sou gentil e não cobro o custo do serviço de quarto, especialmente estando tão perto da recepção... A estes peculiares clientes, cobrei-lhes o custo propositadamente.
- Aconteceu-me também, confundir os quartos para a entrega e no momento que bati na porta errada apercebi-me que acabara de meter o pé na argola. Não fosse o peso do tabuleiro e eu tinha corrido e tinha-me escondido na esquina do corredor, até ter a certeza que ninguém estava a espreitar... Limitei-me a pedir desculpa.
- Depois existem aquelas situações em que há necessidade de subir e descer as escadas umas 1000 vezes para entregar tudo o que foi pedido no quarto. Uma das vezes, um senhor pediu 3 sopas, 3 tostas e as bebidas. Como profissional de gestão de tempo que sou, fui servir as sopas primeiro enquanto as tostas faziam. Logo de seguida servi as tostas com as bebidas e ouvi resmungarem atrás da porta: "até que enfim". Resultado, 2 Serviços de Quarto cobrados. É que eu ando o mais acelerada possível e juro que foi só mesmo o tempo de vir cá abaixo barrar as tostas com manteiga e subir. Não tenho culpa que fossem uns alarves a comer sopas. Se se tivessem mantido no seu nível de simpatia fechava os olhos às vezes que subi e desci as escadas...

Veja bem como é que trata os Recepcionistas para a próxima... não vá aparecer uma conta excessiva no serviço de quarto. Somos uns sacanas...!
 
(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Registo de Hóspedes



Tenho quase 1 ano e 9 meses de casa, mas já vi passar centenas de hóspedes todos com as suas especificidades de personalidade e carácter. Com uns é possível dialogar, questionar, conversar, confidenciar e solicitar a sua paciência muito facilmente… Há outros, que me deixam logo a tremer dos joelhos mal entram a porta do Hotel. Há caras novas todos os dias e caras familiares que permanecem dia após dia, somando semanas e meses de estada.
Lembro-me que o primeiro grupo que registei mandei-o para os quartos sem estes ainda estarem arrumados. Não deu muita barraca, porque a colega que me estava a orientar avisou-os a tempo… Depois desse, vieram muitos.. muitos mais! Desde Peregrinos a Motards, famílias inteiras, turistas e pessoas chiques em grupo. Há depois os hóspedes de empresas que fazem do Hotel a sua casa, e de nós a sua família. Havia o senhor que ficava sempre no mesmo quarto, encomendava pizzas para o nosso jantar, fazia trocadilhos com músicas e dava-me lições importantes. De há um ano para cá, deixou esta família para se juntar à dele e recuperar o tempo perdido. Há o senhor colega dele que continua a marcar presença. É uma pessoa sociável também, mas impõe o seu respeito e eu nunca sei bem como reagir ao pé dele. Gosta de atirar a chave para cima do balcão e de ler as notícias antes de ir para o quarto. Entretanto começaram a vir outros novos, como o senhor que é médico, que nunca quer o ticket do multibanco agrafado à Factura e gosta de iogurtes naturais ao pequeno-almoço. Depois, pelo menos uma vez por mês, vem também aquele senhor super simpático e divertido que quando pede uma tosta e um fino me diz que não precisa de ser a correr. Reclama sempre do preço do fax e eu secretamente lá lhe faço uma atençãozinha por ser uma pessoa tão acessível. Há também o senhor simpático que é veterinário e que gosta de comer sopa e uma tosta e beber um chá antes de ir dormir. Adoptou-nos também como a sua família e a mim cativou-me na primeira tosta que pediu neste Hotel. Há também aquele senhor que só o consegui fazer sorrir uma vez, mas que transparece uma tranquilidade e amizade na sua voz. Há depois aquele senhor com idade para ser meu avô, muito querido e simpático que toma sempre o pequeno-almoço às 6h da manhã. Existe ainda a menina super querida que gosta de ficar nos quartos perto da recepção e a senhora que nunca sei quando vai comer sopa.
Depois há o senhor emigrante que gosta do seu copo de vinho e de dois dedos de conversa antes de ir para o quarto e o outro emigrante que me dá pena quando tem que se ir embora. Há ainda o senhor, que não sendo hóspede, vem sempre cá tomar o café. É uma pessoa culta e informada e gosto bastante de conversar com ele. Há ainda o grupo que se reúne uma vez por semana e aquele jovem que depois de mais de meio ano se despediu também de nós. Há ainda aqueles que vêm poucas vezes, mas que não os deixamos de conhecer e aquele espanhol que fica sempre contente em me ver por aqui. 
Há muitos que vêm e que vão e outros tantos que ainda hão-de aparecer.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
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