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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estar no lodo.

Encontro-me num lodo desgraçado.
Para quem não sabe, estar no lodo é uma giría na restauração, que significa estar completamente desorientado, cheio de trabalho e sem saber por onde se virar.
Assim estou eu, e não estou num Hotel. Aprendi este conceito com o meu primeiro companheiro do turno da tarde; um senhor com idade para ser quase meu avô. Muito simpático, paciente e que me ensinou coisas que eu senti que não aprenderia com mais ninguém.
O bichinho do empreendedorismo continuar a mexer-se cá dentro e nos meus piores dias fica-me a segredar ao ouvido: sai porta fora!
Mas ainda não tive coragem.
O que mais me magoa no mundo, não é trabalhar até cair para o lado. É trabalhar para pessoas que são egoístas, rancorosas, vingativas e sem consideração pelo próprio.
Alguém me diz, para que lado fica o norte? Ou a porta de saída. Só para apanhar ar fresco.





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Também temos sentimentos

Ontem foi daqueles dias em que cheguei a casa e só me apeteceu não voltar mais ao hotel. Foi daqueles dias em que os hóspedes nos fazem sentir um autêntico lixo, fazem pouco do nosso trabalho e implicam com  a maneira como fazemos o nosso serviço. O problema é a mentalidade rude destas pessoas, que entram na porta da recepção e em vez de nos retribuirem o boa tarde, viram as trombas e finjem que não está ninguém. As Recepcionistas são vistas como escravas, inventadas apenas para servir, sem abrir a boca e quanto mais humilhadas forem melhor. Felizmente, existem pessoas de bom senso que nos tratam com respeito e não com arrogância. Queria deixar um recado àquelas bestas de ontem: tenho pena ter que vos aturar quase todos os dias, a vocês, que pensam que sabem estar num Bar de Hotel. São umas bestas e não há palavra melhor que vos descreva. São uns picuinhas, porque todas as vezes que sentam o rabinho  naquelas cadeiras, o que exigiram ontem, hoje já está mal. E sabem uma coisa, tenho muita pena de não vos poder dizer isto na cara... por cobardia, talvez, mas sobretudo porque apesar da humilhação que me fazem passar, preciso de trabalhar. Não tirei um curso superior para aturar animais como vocês e felizmente que existem outros hóspedes que fazem o meu trabalho valer a pena.
Vocês são a cópia perfeita dos "armados em ricos e empresários" em Portugal, que pensam que por beber um Johnnie Walker Greeen Label vos dá um ar poderoso. Só para que saibam, aprendi com os verdadeiros apreciadores de whiskey, que não se bebe com um copo repleto de gelo. E se hoje pedem um copo "com bastante gelo", amanhã estão-me a criticar entre vocês, feita beatas, que o copo tem muito gelo. Desprezo-vos e se eu mandasse nunca mais entravam naquele hotel. Vocês são umas bestas.
Aplaudia que um dia fossem tão humilhados no vosso "trabalho", como ontem me humilharam (se bem que o vosso trabalho é passar as tardes a beber no Bar do Hotel e a falar mal dos vossos colegas).
Tenho pena de viver num país assim, de arrogância e estupidez pura. Tenho pena que as pessoas não se saibam respeitar. Eu faço o meu trabalho da melhor maneira, não tenho sequer formação em Bar... Queridos hóspedes, nós esforçamo-nos ao máximo para vos servir bem. E não se esqueçam nunca que somos pessoas iguais a vocês. Caímos o erro de abraçar uma profissão que faz de nós vossos empregados. Há quem nos respeite, mas para aqueles que se armam em parvos, lembrem-se que muitas vezes, por palavras duras que nos atiram, saímos porta fora a chorar, por nos terem feito sentir as pessoas mais inúteis e incompetentes do mndo.
E quanto a vocês, senhores de ontem, enganos acontecem... e há uma secreção corporal, muito semelhante à cor do whiskey.



fonte da imgem: favim.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 29 de setembro de 2012

O Patinho Feio da Hotelaria

Quando andava a tirar o curso, sonhava ser daquelas empresárias de sucesso que viajam de um lado para o outro. Tinha o sonho secreto de cair num Operador Turístico e rumar pelo Mundo fora, avaliando os destinos para depois os recomendar
Não posso esconder que foi essa coisa chamada "Crise" que me arrastou para trás de um Balcão. É o mais fácil e o "mais normal"; acabar o curso e trabalhar num Hotel.
A minha primeira experiência na hotelaria aconteceu há dois anos e foi definitivamente para esquecer. Lembro-me de pequenos pedaços de acontecimentos, porque é sabido que o cérebro apaga ou encobre numa espécie de nuvem cinzenta os acontecimentos mais traumatizantes. Candidatei-me para o posto de Recepcionista e acabei a fazer (quase) tudo menos Recepção. Trabalhava 10 horas diárias, das 12h às 22h
e dado o isolamento era obrigada a ficar no Hotel. Ou seja, vivia 24h aquele ambiente.
O 1º dia foi muito aquém das minhas expectativas. Só gostei da parte em que me mostraram o Hotel, apesar de que, 5 minutos depois já não sabia onde era nada.
Quando me colocaram na recepção, debitaram-me informação para um ano e não toleraram que eu 3 dias depois ainda não soubesse os preços com todas as suas especificidades sem necessidade de consulta ou que ao Domingo as refeições eram servidas não sei onde, não sei de que horas a que horas.
Devido também à lavagem de dinheiro, muito do dinheiro não era declarado à contabilidade e por isso eu ficava sempre na dúvida se havia ou não de registar os hóspedes no sistema informático... era alvo de pancada verbal também por isso.
Os meus dias passavam-se basicamente a lavar loiça do pequeno-almoço assim que eu chegasse, até à "hora de almoço do pessoal". Quando regeressava colocava as mesas para o jantar, passsava os guardanapos em falta e em dias bons parava um pouco na recepção para mais informação debitada. Lavava o chão todo das áreas comuns e muitas vezes aspirava os corredores de acesso aos quartos. À noite dava uma ajuda nos jantares. Os colegas eram dispensáveis. No primeiro dia, quando almoçamos todas, senti-me uma carta fora do baralho, pois nem uma pessoa teve a consideração de me dirigir a palavra. Trabalhar só com mulheres é péssimo e o único "homem" existente também tinha pouco de macho. Era o colega da noite, mais novo que eu e não me deixava que o tratasse sem ser por senhor.
Ao 3º dia já me fartava de chorar para sair dali... até que saí depois de 3 longas semanas. Às vezes gostava de lá voltar só para mostrar como me estou a sair bem no mundo do trabalho: sou recepcionista e promotora do hotel onde estou e tenho viajado algumas vezes à conta disso. Afinal o problema não era meu e eu não era assim tão incompetente.

 Fonte da imgaem desconhecida

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
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