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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Detalhes da Polivalência...

Em conversa com um simpático hóspede, chegámos à conclusão da importância que a polivalência tem hoje em dia... mais do que uma qualidade é quase um requisito para qualquer área de emprego, inclui, obviamente a Hotelaria.
De polivalência percebo eu, como já puderam verificar e por isso não vou estar aqui a repetir a minha lista infinita de afazeres a partir do momento que entro ao serviço.
A parte positiva da polivalência é sem dúvida ter sempre que fazer... Pelo menos não se tem tempo para ter frio em dias de extra-polivalência, para além da qualificação com que uma pessoa fica... Não nos restringimos a saber apenas uma coisa, fazemos várias e bem (a maior parte das vezes) e realmente aprendemos (como eu já aprendi por exemplo, a servir pessoas com aquela técnica da colher e do garfo, ensinada por especialistas. Obrigada :) )
 No entanto, como tudo na vida, também a polivalência tem os seus aspectos negativos e é isso que vou enumerar aqui hoje (não sei como, mas esses aspectos negativos coincidem exactamente com situações que já vivi...). Aqui vai a lista:

1- Primeira desvantagem da polivalência: Torradas Queimadas - se eu estou a meio de fazer uma torrada na Copa e me aparece alguém na recepção que se prolonga mais que o que eu desejava, obviamente que a torrada se vai queimar (a não ser que seja o meu dia de sorte).

2- Segunda desvantagem da polivalência: Esquecimento nº 1 - se eu atendo o telefone para um pedido de Room Service e logo a seguir me aparece alguém na Recepção para lhe mostrar os quartos e lhe explicar os preços, só me vou lembrar de atender o pedido do Hóspede meia hora depois da outra pessoa ter saido (a vantagem é que posso desculpar o "ligeiro" atraso com: estou sozinha, sabe.. é complicado... polivalência e tal...).
- Esquecimento nº 2 -  se alguém me pede o serviço de despertar e eu não anotar na hora, porque vem alguém solicitar-me uma tosta, uma meia de leite e uma fatia de bolo, só me vou lembrar com toda a certeza no dia a seguir, quando estiver numa hora mais ou menos calma na Recepção... com toda a certeza... (não estou a dizer que já aconteceu...).
- Esquecimento nº 3 - Esquecer-me de recados de colegas porque o Hotel esteve cheio até às costuras e não consegui ter tempo de ligar ao Electricista ou desligar a água da piscina.
- Ou seja, Esquecimento em Geral, a ponto de por vezes ficarem pessoas na Sala de Tv à espera da Imperial e dos amendoins...

3- Terceira desvantagem da polivalência: Frustração - é realmente frustrante querer prestar um bom serviço, mas dar-me conta que não consigo estar em todo o lado a tentar fazer um serviço eficiente. É impossível encarregar-me eficientemente do Room Service, quando tenho pessoas na Recepção à espera de fazer o check-in e outras à espera de saber se tenho quartos. Não consigo estar em dois lados ao mesmo tempo, o que também me leva a querer despachar as pessoas que querem ver os quartos, para ir atender o telefone e deixar à espera o desgraçado que está no Bar já desde que fui levar o cházinho ao quarto. É frustrante e por muito que me esforce nunca consigo agradar a todos os hóspedes. Nem todos entendem que sozinha, é impossível atender toda a gente e ainda se mostram indignidos por terem que aguardar a sua vez.


Apesar de tudo, já não sei viver sem o stress e a frustração interior na hora do serviço. Nessas horas, só peço que tudo acabe depressa e que eu consiga gerir tudo.
De resto, só tenho que pedir desculpa, por não conseguir ser perfeita. Quem faz o que pode, a mais não é obrigado, não é assim?


 fonte da imagem: micka-pedagogia-saomarcos.blogspot.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cada cabeça, sua sentença

 Hoje foi daqueles dias em que apareceram os 3 tipos padrão de clientes:
- Os teimosos
- Os "mudos"
- Os pedinchas

Acontece muitas vezes um cliente só, ser isto tudo, mas hoje tive o azar de serem três pessoas diferentes.
- O Cliente teimoso defeine-se por aquele que mesmo nós explicando as coisas, pensa que tem sempre razão. Já me apareceram alguns casos assim, como o senhor velhote que teimava que a porta para a piscina estava fechada e tinha sido eu a abri-la. Esse mesmo velhote teimou que lhe indiquei o caminho errado e foi parar ao 2º piso... Então meteu-se no elevador a tocar à campainha de emergência. Eu, completamente aflita, a pensar que ele estava barricado, disse para manter a calma, que eu já ia resolver a situação. Enquanto fui à recepção, aparece-me ele, a reclamar que ninguém estava no corredor (!) para lhe indicar o caminho. A aventura desse dia, acabou como sr. da Manutenção dos elevadores a reclamar comigo...
O Cliente teimoso de hoje, teimava que o preço já lhe tinha sido creditado da conta. Nós, à semelhança de milhares de hotéis espalhados pelo mundo, estamos também associados a uma central online de reservas muito famosa. Quando recebemos a reserva das pessoas por fax, apenas procedemos à autorização de crédito, para averiguar a validade do cartão... nenhum valor é retirado da conta, mas as pessoas insistem que sim. Houve uma vez um senhor que ameaçou que vinha ter comigo, se lhe tivesse cobrado duas vezes o valor... Nunca mais o vi.

- O Cliente "mudo" (com todo o respeito para com as pessoas portadoras desta deficiência) é o cliente que julga que eu leio pensamentos e adivinho coisas. Aparecem muitos assim. Chegam à Recepção e não dizem nada... nada mesmo! Nem um bom dia ou boa tarde. Eu saúdo-o mas o cliente fica simplesmente pasmado a olhar para mim, como se eu tivesse que saber quem ele é e se tem ou não reserva para o dia. Por favor, digam alguma coisa... é que dificulta bastante tentar arrancar-lhe palavras da boca. Os clientes "mudos" que já são habituais no Hotel, são os que mais me irritam. Está bem que eu já os conheço e sei se têm ou não reserva, mas acho que a boa educação fica bem em todo o lado! Também gostava de chegar à recepção e eu não dissesse nada? Simplesmente fosse buscar a chave de trombas sem abrir a boca? Hein? Gostava? I don't think so... E ainda era capaz de dizer que foi mal atendido. Escute uma coisa, eu também gosto de ser bem recebida no meu local de trabalho.

- O pedincha é aquele que reclama dos preços e de tudo que tem que pagar. Oh amigo, se vem para um Hotel já sabe que é para pagar. Não conheço nenhum Hotel que não cobre pela estada... Pedincham e pedincham, como se isto fosse a feira e pudessem regatear o preço. Não dá... eu baixo-lhe 1 euro que seja e sou despedida. Somos flexíveis quando se justifica, como acredito que são todos os hóteis... mas por causa de uma noite e de um quarto single, pode tirar o cavalinho da chuva. Eu já estou habitauda a ouvir-vos reclamar... mas é como irem ao hospital e pagarem 20 euros pela taxa moderadora. A senhora que está atrás do balcão não tem culpa... Vá reclamar como o Governo, é o que a dita senhora lhe diria.
"A culpa disto é vocês não terem concorrência", tem razão querido hóspede, mas porque não abre o senhor um Hotel nas redondezas e pernoita lá? Assim já não tinha que pagar quarto.

O problemas dos hóspedes é que pensam que por pagar têm à sua disposição um serviço tipo escravatura. Tomem nota: o respeito é muito bonito... Eu também não vou ao vosso local de trabalho armada em parva e insultar-vos ou rebaixar-vos no vosso próprio local de trabalho. Acreditem ou não, trabalhar num Hotel é um emprego! Estamos aqui para servi-lo sim, mas somos humanos e gostamos que nos tratem como tal. Tal como nós o tratamos a si.

fonte da imagem: otrapovirouseda.blogspot.com


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dinner Time!

Hoje foi daqueles dias em que está tudo morto em metade do meu turno e numa hora aparece tudo.
Estava a sopa a ferver quando tive que atender o telefone e enquanto pensava na tosta que teria um aspecto bronzeado exagerado, tive que aparentar uma falsa calma a explicar à senhora do telefone a ementa do jantar buffet para grupos. Normalmente, quando vejo que não há volta a dar, admito a derrota... E só penso na tosta negrinha. Enquanto atravesso o corredor tenho a esperança que está naquele tom dourado apetecível... Até que o alarme de fogo dispara e a minha esperança cai por terra. Pior que o bulício que causo no hotel, é ter que voltar a fazer outra tosta, correndo o risco de tocar o telefone de novo. Com a copa enfumarada, lembro-me de repente do meu frango com esparguete que ficou em stand-by quando tive que ir atender a hóspede que queria uma sopa... Ai se tivesse sido só uma sopa...
Depois do regresso à normalidade, sento-me confortavelmente a degustar o meu jantar. A campainha "engraçada" da recepção toca, mesmo na altura em que eu estava a saborear a melhor parte do frango...
Quando estou a comer e aparece alguém tenho 2 hipóteses:
1- Se aparece exactamente no momento em que estou a meter o garfo à boca, desisto logo ali... enquanto vou a augar pelo pedaço de comida que rejeitei a mim própria.
2 - Habitualmente aparecem quando eu já tenho a boca cheia... então a solução é ir a mastigar pelo caminho e a engolir feita pelicano.
Nunca me engasguei enquanto alcançava a recepção, mas por via de dúvidas aprendi a fazer a manobra de Heimlich a mim própria... não vá o diabo tecê-las.

fonte da imagem: samluce.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

domingo, 11 de novembro de 2012

Money, it's a crime...

Eu já desconfiava que a Espanha estava a entrar na famosa crise muito antes das Manifestações dos espanhóis, muito antes das Greves e dos Protestos, muito antes das ameaças e da concretização do primeiro resgate.
Eu desconfiei logo que a Espanha estava em crise quando os hóspedes espanhóis pararam de deixar gorjetas (e começaram a pedinchar coisas).
Só não acerto no Euromilhões....

P.S. - Queridos Espanhóis, estamos solidários com vocês! E não se preocupem... nós portgueses também fomos desabituados a deixar gorjetas.



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 10 de novembro de 2012

Tururururu Inspector Gadget....

Todos os hotéis padecem deste atentado: objectos que desaparecem... Muitos dos que desaparecem comportam custos que os nossos queridos hóspedes não se lembram na hora de os guardarem religiosamente nas suas malas. "É só uma toalhita..." pensam eles... Mas não é só uma toalhita... todos os hóspedes pensam isso! As poças de água também se fazem gota a gota...
Há objectos que desaparecem que são bastante curiosos... Todas as pessoas têm os seus gostos e as suas preferências de colecções!
Aqui fica uma lista dos objectos que mais desaparecem aqui do Hotel. Gosto de lhes chamar souvenirs.

- Tampas de Banheira (a primeira vez que comecei a reparar, também fiquei num misto de surpresa e choque. Cada um com a sua mania);
- Toalhas (o mais comum... mas o normal é as pessoas levarem uma só toalha (a de rosto ou a de banho, normalmente), mas já aconteceu pessoas levarem o jogo de toalhas completo...);
- Roupões fofinhos dos quartos especiais (acredito piamente que estes hóspedes querem dar continuidade à fofice da noite passada, em sua casa. Comprem roupões! De seda!)
- Cabides (vão ao IKEA, por favor...)
- Comandos de TV (é compreensível também... o que sucede é que aqui no hotel os comandos não são universais... o nosso querido hóspede está sujeito a chegar a casa e o comando não funcionar);
- Comandos do Ar Condicionado (é assim que as lojas de electrodomésticos vão à falência. Hoje o comando, na próxima levam o ar condicionado.);
- Carregador dos Routers da Internet (nem os routers que estão nos corredores escapam à chacina dos desaparecimentos... Depois queixam-se que não têm internet... Por favor, venham até à Recepção porque nós temos carregadores para todas as necessidades!);
- Bules de Chá, que vão para os quartos (só não entendo porque não levam logo o serviço de chá completo. Pelo menos não davam tanto nas vistas. E já agora o tabuleiro também. Sem vestígios que algum dia foi servido um chá no quarto).
- Suporte de Guardanapos (olhem que aquilo não é prata!!!...)



Agora, coisas que podiam levar e não tinham muita importância são as Bases de Copos! Têm o logótipo, são resistentes, dá para escrever e podem coleccioná-las verdadeiramente! Imaginem como seria chique receberem os amigos lá em casa e colocarem na imaculada mesa de pinho as bases de copos dos hotéis onde passaram (ou só de um… para combinar tudo)! Seriam o centro das atenções… Quais toalhas, qual quê…


fonte da imagem: faroldenoticias.com.br


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aventuras de um Carrinho de Bagagens

Um dos objectos fetiche num Hotel é o Carrinho das Malas; a par com a campainha da Recepção, o Carrinho alimenta igualmente uma curiosidade inexplicável aos hóspedes.
Todos o consideram engraçado mal dão de caras com ele na Recepção. Enquanto faço o check-in, a atenção das pessoas está centrada no Carrinho cromado brilhante, com um tapete de veludo vermelho. O culminar máximo desta fantasia dá-se quando vem um hóspede carregado de malas, que acha super divertido a sua bagagem ter que ir naquele carrinho. As minhas costas, por sua vez, não acham piada nenhuma. É uma verdadeira aventura conduzir este monovolume. O elevador é longe e o caminho compreende subidas e curvas apertadas, além de que as rodinhas deste carro não ajudam muito à sua condução. O grande pesadelo é quando o Carrinho vai cheio... Nem sempre sou eu a levar o veículo. quando estou bastante ocupada na Recepção; os hóspedes não têm outra alternativa senão conduzi-lo eles e acham imensa piada. Como me preocupo com o bem-estar dos meus hóspedes, muitas vezes digo para deixarem o Carrinho no corredor que depois vou lá buscá-lo para o estacionar na Recepção. O interesse pelo Carrinho é tal, que muitos deles fazem questão de o trazer de volta. Outros ficam simplesmente chocados por eu não o poder levar aos quartos.
Quem também acha muita graça ao Carrinho das Bagagens são as crianças. Penduram-se no cabide ou sentam-se no tapete e pedem que sejam empurradas numa viagem pelo hotel, numa espécie de comboio turístico. Os pais fazem-se de difíceis à minha frente, proibindo-os de subir quando eu estou a olhar… Tenho a certeza que mal eles viram a esquina da recepção, os garotos saltam para o carrinho, empurrados pelos pais. Não os censuro… eu própria já experimentei andar de Carrinho... Mas não digam a ninguém.



Fonte da Imgem: portuguese.alibaba.com

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Limões e mel

 Hoje é daqueles dias em que o telefone não pára de tocar e a minha tosse não pára de surgir... o que amedronta terrivelmente os hóspedes que aparecem ao balcão. Em vez de os receber com uma calorosa saudação de "Boa Tarde", recebo-os com um Cof, Cof e um nariz a pingar (vá, a parte do nariz tem um bocadinho de drama a mais...). Mais medonha ainda é a minha voz saida de um filme de terror, com variações tonais assustadoras. Sim, estou doente e atrás de um balcão. Mas o que me chateia mesmo é o telefone. Logo hoje que pouco consigo articular senão cof, cof...
Outra coisa pouco simpática são os hóspedes a sair e a deixarem a porta completamente escancarada... cá para mim estão a gostar de ver o meu sofrimento e querem prolongá-lo por mais dias que deveriam ser, deixando entrar uma agradável temperatura digna de manta e lareira.
Tentar manter uma conversa séria com uma voz rouca e doente é dos maiores desafios da minha semana... Não tenho muita credibilidade dizer por telefone que é um hotel acolhedor e climatizado, no estado em que está a minha voz... Eu própria não acreditava numa recepcionista assim.
Agora mudando relativamente de assunto (que também me põe semi-doente)... Sei que o benfica e o porto joga quando estão mais de 2 pessoas pasmadas e coladas ao ecrã da tv da sala... Mas e o meu querido Sporting? Onde está o apoio que precisa nas horas difíceis? Como é que é possível amanhã estar toda a gente a comentar o jogo, se não vejo ninguém ali especado? Veem o jogo por telepatia? Com estas novas tecnologias não me admiro nada que exista já alguma forma secreta de ver futebol e eu não conheça ainda. Talvez só os adeptos do benfica e do porto continuam a seguir a técnica obsoleta da Tv. Viva o Sporting! E o meu chá de limão com mel. :)

Fonte da imagem: amambainoticias.com.br

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu de férias, tu trabalhas, ele trabalha...

Não há nada como estar de férias... Nós recepcionistas temos férias quando mais ninguém tem, o que prevê pouca massificação nos locais que escolhemos...Óptimo!! É perfeito ter uma praia deserta em pleno mês de... Outubro! O tempo incerto e fresco, os dias curtos, tentar enfiar roupas de verão num corpo arrepiado com o frio e aproveitar o sol do meio dia para bronzear pelo menos a cara. Como é bom ter férias!
A vantagem é que eu sou adepta do turismo cultural e paisagístico. Pelo menos é um tipo de turismo que não discrimina turistas e "feriantes". Aceita toda a gente em qualquer altura do ano e acredito que se eu fosse um Monumento também ia gostar de ser visitado fora da época de verão. Ia sentir-me um local apreciado e único, por ter sido escolhido para ser visitado numa época que ninguém se lembra de escolher.
Outra vantagem de ter férias nesta altura é ver os desgraçados que têm que se levantar para ir trabalhar e eu a rir-me sorrateiramente por poder ficar todo o dia a alimentar o ócio. Normalmente na época de verão toda a gente está de férias... poucos são o que sentem este privilégio superior de poder estar em casa quando os outros trabalham.
Agora há outra questão engraçada. Dizem os especialistas que deve ser preparada um pré-rotina, pelo menos na semana antes de se regressar ao trabalho. Dentro desta rotina estão os horários. As "pessoas normais" têm que se voltar a habituar a deitar cedo para levantar cedo... No meu caso, eu confesso... nas férias deito-me cedo. Que rotina é a minha que me obriga a habituar de novo a deitar tarde...? Vá-se lá a entender os recepcionistas e os seus turnos...


toonpool.com (fonte da imagem)

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Knock, Knock... Room Service

 O Room Service é o paraíso dos Hóspedes molengões e o maior pesadelo dos Recepcionistas solo.
Quando o telefone toca na recepção e constato que vem de um quarto que já entrou há mais de 1h, sei, logo à partida que vem algum pedido especial a caminho. Quando ouço a melódica pergunta do "Tem Serviço de Quartos?", fico orgulhosa por o meu super poder de adivinha estar cada vez mais desenvolvido (é um requisito pretendido para se ser recepcionista, porque há hóspedes que não nos dirigem uma palavra e nós temos que adivinhar o que eles precisam... mas sobre isso, falarei num outro tópico...).
Como é um Hotel com regime de Alojamento e Pequeno-Almoço, não há obviamente serviços de jantar (ou almoço); o que temos é uma família de sopinha caseira, tostas mistas, torradas e sandes. E a escolha do hóspede resume-se a isto.
As mais populares são a sopa e a tosta mista e sempre que encabeço a aventura de as preparar tenho que estar na Recepção a atender o telefone ou a fazer algum check-in, no Bar a servir alguém e na Copa para não deixar queimar a tosta... Normalmente é tudo ao mesmo tempo. Quando tudo está perfeitamente distribuido no tabuleiro, parto à aventura de chegar ao quarto, que habitualmente é sempre o mais longe possível e no 1º andar.
Tenho boas memórias sobre eu, a servir o "Room Service"... :
- Os americanos são as pessoas mais simpáticas... Dão sempre gorjeta. Não importa o que se leve ao quarto.
- Numa vez, os hóspedes que entraram eram um casalinho jovem, com a mania que fica muito em hotéis. Logo no check-in e na atribuição do quarto fizeram alguns escândalos, que só contribuiram para ficar com eles "entalados". Depois de instalados e já passadas umas longas horas, ligam para a recepção para lhes entregar uma simples garrafa de água. Eu acedo muito simpaticamente ao pedido e entrego a garrafa no quarto que se situava mesmo, mesmo ao lado da recepção. Quando as pessoas são simpáticas comigo, sou gentil e não cobro o custo do serviço de quarto, especialmente estando tão perto da recepção... A estes peculiares clientes, cobrei-lhes o custo propositadamente.
- Aconteceu-me também, confundir os quartos para a entrega e no momento que bati na porta errada apercebi-me que acabara de meter o pé na argola. Não fosse o peso do tabuleiro e eu tinha corrido e tinha-me escondido na esquina do corredor, até ter a certeza que ninguém estava a espreitar... Limitei-me a pedir desculpa.
- Depois existem aquelas situações em que há necessidade de subir e descer as escadas umas 1000 vezes para entregar tudo o que foi pedido no quarto. Uma das vezes, um senhor pediu 3 sopas, 3 tostas e as bebidas. Como profissional de gestão de tempo que sou, fui servir as sopas primeiro enquanto as tostas faziam. Logo de seguida servi as tostas com as bebidas e ouvi resmungarem atrás da porta: "até que enfim". Resultado, 2 Serviços de Quarto cobrados. É que eu ando o mais acelerada possível e juro que foi só mesmo o tempo de vir cá abaixo barrar as tostas com manteiga e subir. Não tenho culpa que fossem uns alarves a comer sopas. Se se tivessem mantido no seu nível de simpatia fechava os olhos às vezes que subi e desci as escadas...

Veja bem como é que trata os Recepcionistas para a próxima... não vá aparecer uma conta excessiva no serviço de quarto. Somos uns sacanas...!
 
(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Breakfast included

Ao fazer o turno da noite, o meu passatempo preferido é montar o pequeno almoço. A emoção do contra-relógio, desafiando records pessoais, junto com a adrenalina de, sozinha, conseguir preparar um belo buffet de pequeno almoço para os meus simpáticos hóspedes (que muitas vezes passam das 50 pessoas).
Reitero o meu ódio de estimação que alimento todas as vezes pelo Fiambre e mais recentemente pelo Presunto Ibérico em fatias, que não descola da embalagem, nem com diluente.
Quando depois de 2 horas e pouco de luta com a mais diversa qualidade alimentícia para pequeno-almoço, orgulho-me de olhar para as mesas, como uma meta vencida. Venci a corrida contra o relógio e venci todas as especificidades do mise en place que um pequeno almoço buffet obriga.
Os guardanapos perfeitamente dobrados nas mesas, os talheres imaculadamente brilhantes, a loiça organizada, o queijo e o fiambre num jogo de simetria no prato, o queijinho fresco e o presunto geometricamente dispostos, a fruta laminada, o pão... O sentimento que surje é de uma obra-prima acabada. A vantagem é poder repetir centenas de vezes esta obra de arte, olhando cada vez mais aos pormenores.
Tudo isto, leva-nos ao diferente tipo de Clientes que se sentam à mesa no Pequeno-Almoço.
A abertura oficial da Sala é as 7h e em dias de semana, os primeiros clientes madrugadores a chegarem timidamente, são distinguidos pelo arrastar das cadeiras que ecoam num hotel semi adormecido ainda. Estes são os hóspedes mais ou menos habituais que saem cedo para poderem ir trabalhar. Ao fim de semana, o meu turno acaba e não vejo uma alminha na sala do pequeno-almoço. Reza a lenda, que só a partir das 10h (que é a hora do fecho da sala) é que vão aparecendo os primeiros corajosos.
Então na Sala do Pequeno Almoço é possível distinguir pelo menos 3 Grupos:
1º Grupo: Os que usam a chávena, o pires e só mais um pratinho para colocarem o Pão e o Fiambre/ Queijo ou que for para acompanhar. Estes clientes, normalmente deixam a toalha imaculada, sem nódoas de café ou sumo, sem migalhas e sem roubarem os talheres do lugar vizinho. Retirar a loiça destes Clientes é o maior prazer, mesmo depois de um turno comprido da Noite.
2º Grupo: Os que usam a chávena, o pires, o pratinho para o Pão, o pratinho para os acompanhantes, o pratinho para a fruta, a tigela de cereais e um Iogurte. Usam um copo para a água, outro para o sumo de laranja e outro para o néctar de pêra. Experimentam uma variedade de chá, o que os leva a colocar mais uma chávena na mesa. Estes são aqueles que experimentam tudo e deixam metade no prato, porque como já diziam os meus Pais "têm mais olhos que barriga". A par disso, fica uma montanha de loiça e uma panóplia de talheres na mesa, que faz qualquer ser humano duvidar que só uma pessoa ali esteve a comer. Normalmente depois destes clientes, tenho sempre que colocar uma toalha nova e refazer tudo.
3º Grupo: É o grupo que inclui os Clientes fãs de um só alimento do buffet, como é o caso do queijinho fresco. Depois de horas de trabalho, as meias luas do queijinho fresco foram fazer luar para outras paragens.
O pequeno almoço é um dos mais meticulosos trabalhos dentro do Hotel, capaz de pôr à prova o mais paciente Recepcionista que apareça.
Eu por mim só tenho pena que os nossos Hóspedes não parem para admirar a maravilhosa obra que nasceu na Sala, enquanto dormiam profundamente nos seus quartos.
Bom Apetite.

 Fonte da Imagem: bellezafashion.blogs.sapo.pt

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Truques de Sedução

 Chega ao bar do Hotel e pede uma Imperial fresquinha. Muito simpáticamente o menino ou a menina que o atende serve-lhe a sua bebida e a acompanhar uns frutos secos. Recusa delicadamente, pensando que vai deixar metade do seu orçamento naquele pirezinho de tentadores salgadinhos das mais diversas variedades e tamanhos. O menino ou a menina que o atende diz-lhe que são oferta. Parece-lhe familiar?
Temos dois motivos porque o fazemos:
1º - estamos mesmo a tentar ser simpáticos! É o meu truque de conquista de hóspedes!
2º - (agora vem esta razão que com toda a certeza descredibilizará o 1º motivo e que a sua revelação me vai custar o emprego e a aceitação na massa hoteleira) Ora aqui vai a revelação: Oferecemos o pirezinho para que possa consumir mais uma Imperial... é que os salgadinhos sempre dão sede...

E sai mais uma Imperial!





(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Registo de Hóspedes



Tenho quase 1 ano e 9 meses de casa, mas já vi passar centenas de hóspedes todos com as suas especificidades de personalidade e carácter. Com uns é possível dialogar, questionar, conversar, confidenciar e solicitar a sua paciência muito facilmente… Há outros, que me deixam logo a tremer dos joelhos mal entram a porta do Hotel. Há caras novas todos os dias e caras familiares que permanecem dia após dia, somando semanas e meses de estada.
Lembro-me que o primeiro grupo que registei mandei-o para os quartos sem estes ainda estarem arrumados. Não deu muita barraca, porque a colega que me estava a orientar avisou-os a tempo… Depois desse, vieram muitos.. muitos mais! Desde Peregrinos a Motards, famílias inteiras, turistas e pessoas chiques em grupo. Há depois os hóspedes de empresas que fazem do Hotel a sua casa, e de nós a sua família. Havia o senhor que ficava sempre no mesmo quarto, encomendava pizzas para o nosso jantar, fazia trocadilhos com músicas e dava-me lições importantes. De há um ano para cá, deixou esta família para se juntar à dele e recuperar o tempo perdido. Há o senhor colega dele que continua a marcar presença. É uma pessoa sociável também, mas impõe o seu respeito e eu nunca sei bem como reagir ao pé dele. Gosta de atirar a chave para cima do balcão e de ler as notícias antes de ir para o quarto. Entretanto começaram a vir outros novos, como o senhor que é médico, que nunca quer o ticket do multibanco agrafado à Factura e gosta de iogurtes naturais ao pequeno-almoço. Depois, pelo menos uma vez por mês, vem também aquele senhor super simpático e divertido que quando pede uma tosta e um fino me diz que não precisa de ser a correr. Reclama sempre do preço do fax e eu secretamente lá lhe faço uma atençãozinha por ser uma pessoa tão acessível. Há também o senhor simpático que é veterinário e que gosta de comer sopa e uma tosta e beber um chá antes de ir dormir. Adoptou-nos também como a sua família e a mim cativou-me na primeira tosta que pediu neste Hotel. Há também aquele senhor que só o consegui fazer sorrir uma vez, mas que transparece uma tranquilidade e amizade na sua voz. Há depois aquele senhor com idade para ser meu avô, muito querido e simpático que toma sempre o pequeno-almoço às 6h da manhã. Existe ainda a menina super querida que gosta de ficar nos quartos perto da recepção e a senhora que nunca sei quando vai comer sopa.
Depois há o senhor emigrante que gosta do seu copo de vinho e de dois dedos de conversa antes de ir para o quarto e o outro emigrante que me dá pena quando tem que se ir embora. Há ainda o senhor, que não sendo hóspede, vem sempre cá tomar o café. É uma pessoa culta e informada e gosto bastante de conversar com ele. Há ainda o grupo que se reúne uma vez por semana e aquele jovem que depois de mais de meio ano se despediu também de nós. Há ainda aqueles que vêm poucas vezes, mas que não os deixamos de conhecer e aquele espanhol que fica sempre contente em me ver por aqui. 
Há muitos que vêm e que vão e outros tantos que ainda hão-de aparecer.


(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

sábado, 29 de setembro de 2012

O Patinho Feio da Hotelaria

Quando andava a tirar o curso, sonhava ser daquelas empresárias de sucesso que viajam de um lado para o outro. Tinha o sonho secreto de cair num Operador Turístico e rumar pelo Mundo fora, avaliando os destinos para depois os recomendar
Não posso esconder que foi essa coisa chamada "Crise" que me arrastou para trás de um Balcão. É o mais fácil e o "mais normal"; acabar o curso e trabalhar num Hotel.
A minha primeira experiência na hotelaria aconteceu há dois anos e foi definitivamente para esquecer. Lembro-me de pequenos pedaços de acontecimentos, porque é sabido que o cérebro apaga ou encobre numa espécie de nuvem cinzenta os acontecimentos mais traumatizantes. Candidatei-me para o posto de Recepcionista e acabei a fazer (quase) tudo menos Recepção. Trabalhava 10 horas diárias, das 12h às 22h
e dado o isolamento era obrigada a ficar no Hotel. Ou seja, vivia 24h aquele ambiente.
O 1º dia foi muito aquém das minhas expectativas. Só gostei da parte em que me mostraram o Hotel, apesar de que, 5 minutos depois já não sabia onde era nada.
Quando me colocaram na recepção, debitaram-me informação para um ano e não toleraram que eu 3 dias depois ainda não soubesse os preços com todas as suas especificidades sem necessidade de consulta ou que ao Domingo as refeições eram servidas não sei onde, não sei de que horas a que horas.
Devido também à lavagem de dinheiro, muito do dinheiro não era declarado à contabilidade e por isso eu ficava sempre na dúvida se havia ou não de registar os hóspedes no sistema informático... era alvo de pancada verbal também por isso.
Os meus dias passavam-se basicamente a lavar loiça do pequeno-almoço assim que eu chegasse, até à "hora de almoço do pessoal". Quando regeressava colocava as mesas para o jantar, passsava os guardanapos em falta e em dias bons parava um pouco na recepção para mais informação debitada. Lavava o chão todo das áreas comuns e muitas vezes aspirava os corredores de acesso aos quartos. À noite dava uma ajuda nos jantares. Os colegas eram dispensáveis. No primeiro dia, quando almoçamos todas, senti-me uma carta fora do baralho, pois nem uma pessoa teve a consideração de me dirigir a palavra. Trabalhar só com mulheres é péssimo e o único "homem" existente também tinha pouco de macho. Era o colega da noite, mais novo que eu e não me deixava que o tratasse sem ser por senhor.
Ao 3º dia já me fartava de chorar para sair dali... até que saí depois de 3 longas semanas. Às vezes gostava de lá voltar só para mostrar como me estou a sair bem no mundo do trabalho: sou recepcionista e promotora do hotel onde estou e tenho viajado algumas vezes à conta disso. Afinal o problema não era meu e eu não era assim tão incompetente.

 Fonte da imgaem desconhecida

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coisas que não sabe sobre os Recepcionistas de Hotel

Decidi hoje publicar algumas curiosidades sobre pessoas que trabalham em Recepções de Hotel, com especial ênfase para aqueles que trabalham em Hotéis "Alojamento e Pequeno-Almoço" em que fazem de Recepcionistas, Barmen/Barmaids, Serviço de Quartos, Telefonistas, Secretários da Direcção, Técnicos de TV, Electricistas, Canalizadores, Técnicos de Gás... (entre outras necessidades que os hóspedes procuram satisfazer)... Isto tudo sozinhos num turno.

Coisas que não sabe sobre os Recepcionistas:
1- Os Recepcionistas são pessoas!! Pessoas de carne e osso. Por isso os Recepcionistas:
- comem! Sim, é verdade! Têm "horas" para refeições. E por "horas" leia-se "aproveitar o tempo morto entre fazer uma Tosta Mista e um Check-In.
- têm necessidades fisiológicas (sim, fazem xixi), por isso é um bocado constrangedor para os Recepcionistas que logo no momento em que entram na Casa de Banho, entra alguém no Hotel e insiste em tocar naquela campainha "engraçada". Acredite que se apanhar um Recepcionista num dia mau, ele vai fazê-lo sentir bastante envergonhado, fazendo-o perceber disimuladamente que acabou de sair da casa de banho. O mau da fita vai ser o hóspede, que não soube esperar.
- têm de atender mais que 1 hóspede no Hotel. Apesar de agirem (e correctamente) como se você fosse o hóspede mais especial do hotel e o único que está ali para ser servido, isso não é verdade. Devia aprender a pôr-se no seu lugar e não interromper quando o Recepcionista está a prestar informações a outro hóspede e especialmente quando está ao telefone e você ignora esse facto completamente. É bastante complicado estar a falar ao telefone e a atender uma pessoa ao balcão... O que nos leva ao próximo item:
- não conseguem estar em 2 lados ao mesmo tempo, falar com duas pessoas ao mesmo tempo... Ou seja, não conseguem estar no Bar e na Recepção ao mesmo tempo e é muito irritante quando você, hospede, mal entra pela porta do Hotel está logo a tocar na tal "campainha engraçada como se vê nos filmes". Irrita! Está a passar indirectamente um atestado de incompetência ao Recepcionista acusando-o que deveria estar na Recepção para o atender e não no Bar a tirar um café a um outro qualquer. E é igualmente mau quando você toca à campainha e o Recepcionista está mesmo atrás de si, que obviamente não ouviu por mentalmente já estar a passar o tal atestado mentalmente.
- não são multi-funções. Os Recepcionistas não são obrigados a perceber de ar-condicionado ou de antenas de TV. O máximo que lhe podem fazer para resolver o problema é trocar de quarto.
2- Os Recepcionistas gostam do que fazem! Gostam de o atender e têm realmente gosto de responder às suas necessidades. Só lhe pedem um pouco de paciência e muitas vezes menos arrogância. Se é daqueles armado em "doutor" lembre-se que muitos Recepcionistas também têm cursos superiores.

Have a nice stay!




(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

Texto originalmente publicado em 22 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Reception by Night

Hoje risco mais um dia no turno da noite do meu calendário de Recepcionista. Felizmente estou na minha contagem decrescente, deste que é, dos turnos menos agradáveis de se fazer (00h-08). Não sou Night Auditor oficial, "tapo" os buracos da folga do Night Auditor oficial. Claro que as mulheres não são obrigadas a fazer este turno... tal como ninguém é obrigado a trabalhar em nenhum local... mas a verdade é que temos de o fazer, certo?
Das coisas que menos me agrada é estar completamente sozinha, a tomar conta de um hotel de 40 quartos. Já disse muita vez, que se eu fosse para um hotel e visse uma rapariguinha atrás de um balcão às 02 da manhã, não me ia sentir muito segura... Especialmente se soubesse que ela pensa como eu: eu dou à sola se as coisas correrem para o torto, especialmente num assalto, até porque sou eu a que estou mais perto da porta! Em caso de incêndio o alarme dispara, em caso de terramoto é so ligar a todos os quartos, em caso de inundação... bem, este cenário penso ser o menos propício a acontecer.
Agora queria deixar aqui esclarecido que eu a fazer o turno da noite, não durmo. A sério. Normalmente os Recepcionistas nao dormem! Nem se poem a ver televisão.
Dentro das minhas funções como Night Auditor, está a árdua tarefa de montar sozinha o pequeno-almoço, entre muitas das vezes, para um hotel com mais de 80 pessoas. A minha pedra no sapato é laminar o raio do fiambre cujos bocadinhos voadores se colam até nos caracóis do meu cabelo... Estou 1h em volta do que outrora foi um pedaço de porco, para depois na hora do pequeno almoço ver o pratinho tão bem condicionado desaparecer em 5 minutos... Entre laminar queijo e fiambre, fruta, queijo fresco e marmelada, alguém sempre se lembra de aparecer tarde no Hotel e tocar a campainha, exactamente a meio da minha luta com as lâminas. Assim que eu abro a porta e com o ar mais natural do mundo diz o meu quarido hóspede: ai peço desculpa menina, já estava a dormir, não já?
E eu penso para mim: "A dormir? Eu, a dormir? Estou há 2 horas a preparar-lhe o pequeno almoço para que a Sala abra a horas e acha que eu estou a dormir? Olhe que o pequeno almoço não aparece magicamente na Sala antes do senhor entrar..." Mas limito-me a fazer o meu melhor sorriso, dizer-lhe que estou a trabalhar e desejar-lhe uma boa noite.
Agora pense em 2 coisas quando passar a porta de um Hotel às tantas da madrugada:
1º- Se vir uma rapariguinha sozinha, o melhor é ir dormir a outro sítio ou arrisca-se a ver o seu quarto assaltado e sem sinal da Recepcionista.
2º - A pessoa que lhe abrir a porta, é a que vai estar a preparar o seu pequeno-almoço, logo, não está a dormir.

Boa noite.

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

Fonte da imagem: MCHUMOR.COM

Isto só contado...

 
Sou licenciada em Turismo e vim parar ao mundo da hotelaria há 1 ano e meio… (Sem contar com aquela experiência traumatizante, que felizmente não durou um mês…) Sou uma caçula da hotelaria mas tenho absorvido furtivamente os mais diversos conhecimentos desta área e sempre tive o desejo secreto de os partilhar com o mundo… não só os conhecimentos, mas as histórias engraçadas que se vivem atrás de um balcão. Já experienciei aventuras tão interessantes que pensava para mim: “eu devia era escrever um livro….” Apesar de existirem coisas que acredito piamente que “contado ninguém acredita”! Apesar de tudo, decidi avançar… eu que sou uma autora compulsiva de blogs e obcecada pela escrita. Apesar do meu português banal e construído fora do novo acordo ortográfico, vou aqui fazer uma tentativa decente na narração de histórias (verídicas) testemunhadas por mim. São situações engraçadas que ninguém sonha acontecerem num local tão simples como um Bed and Breakfast, que é onde eu trabalho! Seja muito bem-vindo ao meu Hotel.










(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
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